JESUS GLORIFICADO

POR RODRIGO H. C. OLIVEIRA 
JESUS GLORIFICADO

ESBOÇO

1 - Introdução   2 - Considerações Iniciais   3 - João em Patmos   4 - A Visão de Jesus
Glorificado   5 - O Resultado da Visão   6 - Conclusão   7 - Notas de Rodapé   8 - Referências


INTRODUÇÃO

Ajuntamentos se fazem visíveis em todos os continentes do planeta. Pessoas atém mesmo bem intencionadas, muitas vezes, se apressam para chegarem à Rua X afim de gritarem em apoio àquele líder político que haveria de passar por ali. “Esse homem é nossa última esperança” - eles dizem.

De igual forma, uma multidão que se encontra nas arquibancadas vai a loucura quando o camisa dez entra em campo. Seu nome é aclamado, aplaudido e ovacionado enquanto faz os seus dribles. Alguns desmaiam quando naquele minuto decisivo a estrela do time marca o gol da vitória. Quanta emoção! “Ele é o melhor de todos os tempos” - dizem.

Não se faz nem mesmo necessário mencionar os inúmeros cantores que levam
suas platéias ao êxtase enquanto abrem as suas bocas e erguem suas vozes ao canto. “É prazeroso ouvi-lo, sua música me deixa muitíssimo alegre” - também dizem…

Mas a questão desta Introdução às Sete Cartas, Parte II, é a mesma do passado: Jesus estava em oração quando virou-se para os seus discípulos e lhes perguntara dizendo: “Quem diz a multidão que eu sou?” (Lc 9.18).

Desse mesmo modo, o quanto as pessoas -- que tanto sabem sobre os ideais políticos de A -- conhecem acerca daquEle que é o Rei dos reis e Senhor dos senhores? O quanto sabem sobre aquEle que nos conquistou a maior vitória (sobre a morte e o pecado) de todos os tempos? Será que assim como João, o apóstolo, puderam ouvir aquela voz que é como uma voz de muitas águas?

O fato é que as multidões idolatram pessoas mortais como eu e você. Tanto sabem sobre tudo e sobre todos, mas nada sabem sobre o Cristo Ressurreto. Assim se encontra o mundo em que vivemos: Pessoas que constantemente se amotinam enquanto seus pensamentos se prendem em coisas vãs e irrelevantes (Sl 2.1). É uma triste realidade! Mas e vós? Perguntou Jesus: “quem dizeis que eu sou?” (Lc 9.20).


CONSIDERAÇÕES INICIAIS


Caro leitor, neste estudo você encontrará em destaque as passagens bíblicas que também estarão acompanhadas do versículo entre parênteses. O capítulo estudado estará exposto no título de cada seção. Como já mencionado anteriormente, para um melhor entendimento, é fundamental que você acompanhe as passagens citadas em sua Bíblia.


Em nossa primeira parte introdutória às sete cartas do Apocalipse foram abordados certos aspectos fundamentais para o estudo do livro (caso você ainda não tenha lido, acesse “Introdução às Sete Cartas, Parte I”). Já em nossa segunda e última parte introdutória acerca do tema, haveremos de estudar sobre a visão de Jesus Glorificado e seu senhorio. Já mencionamos no estudo anterior sobre a importância de conhecê-lo, as suas características nos revelam o quão grande e majestoso Ele é. 


O Cristo Glorificado é muito diferente daquEle que outrora João havia conhecido. Ao se fazer carne e habitar entre os homens, Jesus “deixou o explendor de Sua glória” para nos revelar o quão profundo é o amor do Pai para conosco (Jo 3.16). Jesus encarnado (Jo 1.14) foi um homem de aspecto humilde e, certa vez, lavou os pés dos seus discípulos a fim de os ensinar sobre essa humildade (Jo 13.5, 12-16). O apóstolo João havia convivido com este Jesus, o Cristo de vestes simples e cabelos desgrenhados pela poeira do deserto, homem de dores, desprezado e humilhado (Is 53), rejeitado até mesmo pelos seus (Jo 1.11). 


O discípulo amado (Jo 13.23) esteve presente no momento da crucificação de Jesus. Ele viu o seu Mestre coroado com uma coroa de espinhos, humilhado e oprimido pelos soldados de Roma, silencioso como uma ovelha muda diante de seus tosquiadores (Is 53,7). Aquele que outrora fora oprimido sem abrir a própria boca, agora, se apresentava a João com uma voz poderosa como de trombeta (Ap 1.10). Esse é o Jesus Glorificado, assunto desta introdução. Ele passeia no meio de Sua Igreja e, em meio às crises da vida, Ele não apenas vê, mas também nos conhece profundamente. E você? Também deseja conhecê-lo? 



JOÃO EM PATMOS

APOCALIPSE 1.9-11


“Eu, João, que também sou vosso irmão (9),” nos comprova que o fato de João ser um apóstolo do Senhor não o eleva a uma posição superior a de irmão e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo” (9). Assim também o apóstolo Paulo demonstra sua humildade ao escrever à Igreja de Corinto que “de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado” (II Co 12.15). 


Um verdadeiro pastor deve amar a Igreja à qual Cristo lhe confiara, apascentando-a e conduzindo-a em humildade e companheirismo, tanto nas aflições como no reino (Rm 12.15; At 14.22) e paciência (NT1) de Jesus Cristo. Paulo, mais uma vez, também nos ensina acerca da humildade ao mencionar o seu desejo para conosco: “que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fl 2.5-7). 


Nosso irmão, João, já era velho. Os estudiosos dizem que ele já tinha cerca de 90 anos de idade quando “estava na ilha chamada Patmos” (9). Patmos era uma pequena ilha situada no Mar Egeu, sua área total era de 34,6 Km² e os romanos a utilizavam como uma colônia penal. Vários criminosos foram enviados para lá e, entre eles, estava João (NT2) “por causa da palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo” (9). Seu crime fora tão somente o de pregar a Palavra e testemunhar que o Cristo havia ressuscitado. 


“Eu fui arrebatado em espírito, no dia do Senhor” (10) descreve uma experiência difícil de ser explicada, algo singular que poucos já tiveram a oportunidade de viver. O próprio apóstolo Paulo menciona que na ocasião de seu arrebatamento ao terceiro céu não sabia se o fora no corpo ou fora do corpo, “Deus o sabe” (II Co 12.2). Ao prosseguir, João menciona que: “ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta” (10). Não se trata de uma voz qualquer, mas de uma voz poderosa, cheia de autoridade e poder (Sl 29.4-9), essa é a voz do nosso Amado Jesus. 


“Que dizia: O que vês, escreve-o num livro e envia às sete igrejas que estão na Ásia” (11). Tal fato nos desperta para o desejo do Senhor de que esta mensagem fosse conhecida pelos seus destinatários. “Escreve-o e envia” é fundamental para que o alerta chegasse aos ouvidos daqueles que estavam dispostos a ouvi-lo. “A Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia (11).


E nós? Também estamos dispostos a ouvi-lo? E mais, há disposição para realizar a difícil tarefa de fazer com que Sua mensagem chegue a todos os que dela necessitam? Patmos não privou João da oportunidade de ser um porta-voz de Deus, o que te priva de também o ser? Pensemos nisso e estejamos preparados para enviar às pessoas que nos cercam a Palavra do Senhor, a fim de que elas também alcancem vida e conheçam o eterno poder de Nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus. Glórias, pois, a Ele. Amém.



A VISÃO DE JESUS GLORIFICADO
APOCALIPSE 1.12-16

“E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais” (12) que alude às sete igrejas conforme nos esclarece o versículo 20 do mesmo capítulo. Os castiçais são produzidos para trazer luz ao ambiente e, dessa forma, aprendemos que a Igreja precisa trazer luz ao mundo (Mt 5.14-16) a fim de que Deus, nosso Pai, seja glorificado.

A carta aos filipenses nos alerta para o fato de que, como igreja, devemos resplandecer a luz como os astros também o fazem (Fl 2.15). O mundo está em trevas, é perverso e corrompido. Temos de ser luz, mas não podemos deixar de mencionar que a luz que há em nós não procede de nós mesmos. O castiçal é um instrumento para a luz, mas só Jesus pode nos manter acesos. Ele é o que batiza com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11).

O material “de ouro” (12) nos fala de um alto valor. A Igreja é valiosíssima para Deus, o valor com que nos comprou excede o de todos os bens que há no mundo, pois estes são corruptíveis (I Pe 1.18-19).

“E, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do Homem” (13). A expressão Filho do Homem faz referência a Jesus (At 7.56), o que nos mostra de forma clara e evidente que Ele está constantemente presente no meio de Sua Amada Igreja. French L. Arrington menciona acertadamente que “A exaltação de Cristo ao céu não significa que Ele esteja ausente; o Senhor ressurreto continua a estar presente na Igreja e em sua Palavra”.

“Vestido até aos pés de uma veste comprida” (13) demonstra-nos a sua autoridade real e sacerdotal (NT3). São vestes típicas daquEle que é nosso Sumo Sacerdote (Hb 4.14) e Rei dos reis (Ap 19.16). Mas, esse Jesus tem sido o único mediador e governante de nossas vidas?

“E cingido pelo peito com um cinto de ouro” (13). O ensino aqui é que o seu reinado não se dá com mentiras (Tt 1.2) ou injustiças. O profeta Isaías reforça este entendimento ao escrever que “a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins” (Is 11.5). E Quanto a nós, seguidores de Cristo, também estamos cingindo os nossos lombos com a verdade? (Ef 6.14).

“E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve” (14).
Aqui nos lembramos de Daniel descrevendo-o como um “ancião de dias” (Dn 7.9). Os seus cabelos brancos apontam para a sua preexistência e sabedoria (Sl 90.12). Refere-se também à coroa de honra (Pv 16.31) e aos seus pensamentos que são santos, puros, e de paz para conosco (Jr 29.11).

“E os olhos, como chama de fogo” (14), é outra referência a Daniel que também os descreve como “tochas de fogo” (Dn 10.6). Bem sabemos que para enxergarmos, necessitamos de luz, mas para o Cristo, seus próprios olhos iluminam tudo e a todos. Nada há que lhe seja encoberto (Sl 139.12; Hb 4.13). Ele é Onisciente, seus olhos penetram as trevas de encontro às nossas almas. Você já se sentiu aquecido por este olhar?

“Os seus pés, semelhantes a latão reluzente” (15). São os pés firmes e poderosos (Zc 14.4) que se apressam para o juízo. Suas pisadas estáveis nos alertam para a sua Onipotência para julgar e pisar todos os inimigos (I Co 15.25). “Como se tivesse sido refinado numa fornalha” (15) indicam pés puros e perfeitos. Para nós estes pés são cura e bênção (Is 53.5), mas para o mundo são juízo de Deus (Is 63.3).

“E a sua voz, como a voz de muitas águas” (15) é a mesma voz que o profeta Ezequiel ouvira no passado (Ez 43.2), Ele não muda. Tal voz nos mostra poder e majestade (Sl 29.4; Is 30.31). Quando Ele fala todas as demais vozes são abafadas e os argumentos se mostram ineficazes diante dela. Existem infinitas vozes falando ao mundo, mas a quem temos dado ouvidos? (Hb 3.7-8).

“E ele tinha na sua destra sete estrelas” (16). O versículo 20 deste mesmo capítulo esclarece que as estrelas são os sete anjos das sete igrejas. Nesta passagem, os anjos referem-se aos pastores que também devem ser luz e instrumento nas mãos de Jesus. Que privilégio é estar em sua mão e ser guiado por ela!

“Da sua boca saía uma aguda espada de dois fios” (16). Aguda é o mesmo que afiada. Hebreus 4.12 nos traz a informação de que a “Palavra de Deus é viva e eficaz” e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. Essa mesma Palavra há de julgar os homens no último dia (Jo 12.48; Is 11.4). Ao recebermos Sua Palavra temos de fazer uma escolha: aceitá-la ou rejeitá-la. Você já escolheu?

“E o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece” (16). O seu rosto nos traz a cura de que nossas almas tanto precisam (Ml 4.2). Ele dissipa as trevas a fim de que não venhamos a andar mais em escuridão (Jo 8.18) e nos lembra muito acerca da experiência de conversão do apóstolo Paulo em Atos 26.13-15.


O RESULTADO DA VISÃO
APOCALIPSE 1.17-18

“E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto” (17). Experiência igual a esta foi a vivida pelo profeta Daniel, que quando o viu, não restou forças em si mesmo para se manter de pé (Dn 10.8-9). Fica evidente a fragilidade do homem diante do Cristo Glorificado. De algo temos certeza: quando aquele que cai diante dEle é um servo, sempre haverá um “não temas” (17) vindo de Sua parte.

Ele é aquele que morreu, mas ressuscitou, e vive para todo o sempre. Jesus é o possuidor das “chaves da morte e do inferno” (18). Bendito seja Deus, pois, aquele que vencer não receberá o dano da segunda morte (Ap 2.11), mas viverá para sempre com Ele no céu (Jo 14.3).


CONCLUSÃO

Voltando à pergunta inicial: E vós? Perguntou Jesus: “quem dizeis que eu sou?” (Lc 9.20).

Esperamos que este estudo tenha lhe auxiliado no objetivo de conhecer Jesus um pouco mais. Suas vestes o revelam como Sacerdote, seu cinto de ouro mostra-o como Rei. Da sua boca entendemos que é Profeta e, em seu rosto, o vemos como o Deus glorioso que Ele é. Reforçamos o que já foi dito anteriormente: Esse é o Deus que passeia no meio de Sua Igreja e, em meio às crises da vida, Ele não apenas vê, mas também nos conhece profundamente.

Onisciente, Onipresente e Onipotente! O que há que seja impossível a Ele? Olhe, pois, pra Jesus! Ele é tudo o que nós precisamos.

Nos próximos estudos iremos iniciar a abordagem acerca de cada uma das cartas às sete igrejas. Tais ensinos nos trarão uma grande oportunidade espiritual. Nosso objetivo é que lhe seja útil e proveitoso assim como este o foi. Que Deus o abençoe, a paz do Senhor.


NOTAS DE RODAPÉ

NT1 - “Companheiro na aflição, e no reino, e na paciência de Jesus Cristo" (Ap 1.9) é melhor traduzido pela New American Standard Bible como “Companheiro participante na tribulação e reino e perseverança que estão em Jesus”. O Comentário Bíblico Beacon também menciona que a palavra grega para “paciência” utilizada neste versículo é “hypomone”, que significa “persistência e
constância”. Para conhecer mais leia Comentário Bíblico Beacon, Vol 10, CPAD, p.400.

NT2 - “João, o discípulo amado, conta-se que foi jogado num caldeirão de óleo fervente, de onde escapou milagrosamente sem dano algum. Domiciano exilou-o na Ilha de Patmos, onde escreveu o livro de Apocalipse. Nerva, o sucessor de Domiciano, libertou-o. Dentre todos os apóstolos, foi o único a ter morte natural”. Para conhecer mais leia O Livro dos Mártires de John Fox, p. 6.

NT3 - No grego, a “veste comprida” é “podere”. Trata-se de “um adjetivo, encontrado somente aqui e significando ‘alcançando até os pés’. A palavra é usada em Êxodo (LXX) para vestimentas sacerdotais”. Para conhecer mais leia Comentário Bíblico Beacon, Vol 10, CPAD, p.403.


REFERÊNCIAS

Bíblia Sagrada - Almeida e Corrigida, Almeida e Corrigida Fiel e Versão Católica
As Sete Igrejas do Apocalipse; CPAD - Steven J. Lawson
Comentário Bíblico Beacon; CPAD, Vol 10 - Vários Autores
Apocalipse, O Futuro Chegou; Hagnos - Hernandes Dias Lopes
Guia Profético Para o Fim dos Tempos; CPAD - Timothy Paul Jones
Guia de Estudo Bíblia Fácil - Apocalipse; Novo Tempo - Vários Autores
Jesus Glorificado - Apostila do Instituto Bíblico da Igreja Cristã Maranata, 2016
As Sete Cartas do Apocalipse; CPAD - Revista de Lições Bíblicas, 2012
Daniel - Um Homem Amado no Céu; Hagnos - Hernandes Dias Lopes
Daniel e Apocalipse; EETAD - Antônio Gilberto da Silva, 2003

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