INTRODUÇÃO AS SETE CARTAS DO APOCALIPSE

POR RODRIGO H. C. OLIVEIRA, 

ESBOÇO

1 - Introdução   2 - Considerações Iniciais   3 - Dedicação às Sete Igrejas   4 - Conclusão   5 - Notas de Rodapé   6 - Referências


INTRODUÇÃO

O que vem a sua mente quando pensa na palavra “apocalipse”? Hoje em dia muitos filmes, revistas e até mesmo matérias em jornais se referem ao termo usando-o em um sentido de catástrofes envolvendo o fim do mundo. Cenas em que meteoritos gigantes atingem os oceanos causando enormes tsunamis se tornaram frequentes, bem como cenários em que no fim, pouquíssimos sobreviventes têm a função de preservar a raça humana.

Esta secularização do sentido apocalíptico fez com que muitos abandonassem o livro que, de fato, é difícil de ser entendido sem um estudo sério acerca de seu conteúdo. Trombetas, selos, taças, anjos e demônios… Figuras sinistras como a de um dragão ou a de uma besta com sete cabeças causam espanto e medo em muitos de seus leitores, mas muito mais do que catástrofes e coisas do tipo, a revelação de Jesus nos traz a certeza de um novo começo em uma nova cidade, a Jerusalém eternal.

O auxílio do Espírito Santo é imprescindível para o entendimento do Apocalipse, outros aspectos como o contexto histórico e o gênero também se fazem fundamentais para uma interpretação correta do livro. A razão humana facilmente se confunde e, por este motivo, a interpretação da Palavra de Deus sem o auxílio daquele que a inspirou acabará resultando em erro.

"Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discerne espiritualmente" 1 Coríntios 2:14.

Adiante, veremos que o livro de Apocalipse não é exatamente o que algumas pessoas costumam pensar, mas é uma mensagem de paz e consolo para todos os que servem ao Senhor, nosso Deus. Neste livro temos à nossa disposição a felicidade em Jesus, Nosso Senhor. Graça e paz é uma promessa para os que aceitarem e guardarem o Seu conselho, portanto, não deixe para depois, se você tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito Santo diz às igrejas.


CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O Novo Testamento é dividido em vinte e sete livros, dentre os quais, encontramos as biografias de Jesus, o livro histórico de Atos, as cartas pastorais e a profecia do Apocalipse. Escrito pelo apóstolo João (o discípulo amado), este último é o único livro profético do Novo Testamento. Ao longo dos séculos o Apocalipse atraiu (e atrai) milhares de pessoas pela profundidade e esplendor de seu conteúdo, mas da mesma maneira muitos o abandonaram por medo ou dificuldade no entendimento.

Há o risco de se cair em especulações sem fundamento, muitos já se adentraram por este caminho e formularam teorias infladas acerca da marca da besta e outros assuntos que foram escritos pelo apóstolo do Senhor, alguns marcaram, inclusive, datas para a volta de Jesus. Nomes como os de Montano, Martinho de Tours, Joseph Smith , além de outros, acabaram se frustrando com suas previsões.

Pelos fatos já mencionados, existem receios quanto ao estudo do livro ou mesmo da escatologia em geral. Muitos deixaram de lado ou até mesmo abandonaram o estudo cuidadoso das profecias escatológicas, mas este não é o caminho. O apóstolo Paulo nos orientou a fim de que estudássemos as Escrituras (II TM 3.14-17), de igual forma, o apóstolo Pedro nos disse que fazemos bem em estar atentos à palavra dos profetas (I Pe 1.19).

Jesus nos alertou por repetidas vezes para a promessa de sua vinda (Mt 24.42; Mc 13.35-37). Nessa mesma linha, Paulo nos adverte: “Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios” (I Ts 5.6), e acrescenta: “Não desprezei as profecias. Examinai tudo. Retende o bem” (I Ts 5.20-21). João, o apóstolo, também nos deixa claro que ao lermos, ouvirmos e guardarmos as palavras desta profecia, estaremos alcançando a felicidade da parte de Deus (Ap 1.3).

Sendo assim, faz-se necessário o estudo do livro e dos temas relacionados a ele. A vontade do Senhor é esta. Não devemos abandonar o livro como muitos o fizeram, mas devemos estudá-lo com seriedade e cuidado, buscando do Espírito Santo o auxílio e direção a fim de que o nosso entendimento alcance a sã verdade das Escrituras. A Bíblia é a Palavra da vida, então, atentemo-nos para o que nos disse Jesus: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (Jo 5.39).

Dos assuntos abordados no Apocalipse, as sete cartas às Igrejas da Ásia nos trazem riquíssimos ensinamentos, motivo pelo qual daremos início a esta série de estudos relacionados ao tema. É muito importante que você esteja em posse de sua Bíblia a fim de acompanhar os versículos e capítulos citados, faz-se necessário, porém, esclarecer alguns pontos antes de irmos adiante:


O AUTOR

Deus é o autor do livro e por intermédio de Jesus, seu filho, revelou a João, seu servo, as coisas que brevemente iriam acontecer (Ap 1.1).


APOCALIPSE

Apocalypsis é uma palavra grega que significa revelação, sua origem resulta do verbo “apocalypto” que se traduz por “revelar” ou “descobrir”, descortinar. O desejo do Senhor é que este livro seja descortinado para todos, Ele sempre teve prazer em se relacionar com o homem e nada fica oculto àqueles que o servem.

A Septuaginta traz o verbo apocalypto, por exemplo, no texto do profeta Amós, capítulo três verso sete, que diz: “Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas”.

Este entendimento é reforçado no próprio Apocalipse. Ao admoestar João, um anjo do Senhor lhe disse para não selar (cerrar) as profecias do livro (Ap 22.10). A mensagem precisava ser entregue aos seus destinatários o quanto antes. O véu está removido para que o Apocalipse se descortine a nós, seus servos , para que saibamos acerca das coisas que brevemente devem acontecer. O tempo está próximo! Amém.


A FELICIDADE

"Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo" (Ap 1.3). 

Nesta época era muito custoso e trabalhoso produzir um livro, o contexto deixa claro que “aquele que lê” lia para os demais -- “que ouvem as palavras”. A felicidade se dá pelo conhecimento da Palavra de Deus. Feliz é todo aquele que lê, ouve e guarda as palavras desta profecia; porque o tempo está próximo. Essa felicidade é gerada em nossos corações pela operação do Espírito Santo, creia nisso. Deus trará alegria aos corações que se dispuserem a atender o Seu chamado.


DEDICAÇÃO ÀS SETE IGREJAS
APOCALIPSE 1.4-7

Caro leitor, a paz do Senhor. Neste estudo você encontrará em destaque as passagens bíblicas, acompanhadas do versículo entre parênteses. O capítulo estará exposto no título de cada seção. Como já mencionado anteriormente, para um melhor entendimento, é fundamental que você acompanhe as passagens citadas em sua Bíblia.

“João, às sete igrejas que estão na Ásia" (4). João, apóstolo de Jesus Cristo, escreveu para sete igrejas localizadas em uma província romana da Ásia Menor. Além destas sete, havia outras igrejas na Ásia, em Colossos e Hierápolis por exemplo (Cl 1.2; 4.13), também em Trôade e Mileto (At 20.5,15), mas sete é um numeral importante no livro de Apocalipse.

Utilizado como estrutura básica, “sete” aparece 54 vezes ao longo de todo o livro e refere-se à completude, totalidade ou plenitude. Por este motivo, as sete igrejas descritas no Apocalipse representam a completude e totalidade da Igreja de Cristo ao longo dos séculos.

Cada uma das cartas têm o seu conteúdo aplicado de forma pessoal (para aquele que lê), local (a igreja local que recebe a mensagem) e universal (todos os que guardam as profecias do livro). As características e estado espiritual das igrejas também apontam para sete períodos que abrangem a história profética da Igreja desde o período apostólico até a volta de Nosso Senhor Jesus Cristo.

No presente estudo faremos a divisão de cada carta de acordo com suas aplicações pessoais e proféticas. Desse modo, a aplicação pessoal trará ensinos diretos e pessoais para a sua alma enquanto a aplicação profética lhe trará o teor da história da Igreja relacionados aos sete períodos históricos vividos ao longo dos séculos, pelo qual há de se concretizar com as ocorrências referentes à carta destinada a igreja de Laodicéia.

Continuando com nossa exposição, “Graça e paz seja convosco" (4). Graça é o favor imerecido que Deus concede ao homem, é toda sorte de bênçãos recebidas das quais não merecemos. Paz está relacionada ao fim da inimizade com Deus ao qual alcançamos em Jesus, seu Filho. Envolve tranquilidade e segurança nEle. A bênção é da parte da Santíssima Trindade, não vem do homem, do apóstolo, mas de Deus.

“Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados" (5) se refere a Jesus. Ele se entregou por nós por causa do amor com que nos amou (Gl 2.20) e, dessa forma, nos trouxe a paz e justificação para com o Pai (Rm 5.1), nos lavando e libertando do pecado (Jo 8.36). João prossegue dizendo que Ele “nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai" (6), aludindo ao “sacerdócio real” (I PE 2.9) e/ou “reino sacerdotal” (Ex 19.6).

Somos sacerdotes do Deus altíssimo e deveríamos, assim, oferecer a Ele sacrifícios de louvor incessantemente. O apóstolo Paulo nos advertiu para darmos graças em toda e qualquer circunstância (I Ts 5.18), “portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Co 10.31). O reino para o qual fomos chamados é o dos céus e sendo integrantes desse reinado temos por dever o “ide” para propagá-lo (Mt 3.2; 24.14).

O “arrependei-vos” é fundamental para o preparo pois se aproxima a volta de Jesus e curto é o tempo (Hb 10.37). “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram (7)” é uma referência clara a Daniel 7.13 e Zacarias 12.10-14. Naquele dia todo olho o verá, “e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele (7)” porque será dia de juízo sobre as nações (Zc 12.12).

"Sim. Amém" (7) é nai, amen (grego). Refere-se a uma confirmação grega e hebraica lado a lado, reforçando ainda mais a nossa esperança, que não é vazia, mas trata-se de uma certeza. Os sinais descritos no Apocalipse são visíveis para nós, seus servos, e nos atestam as promessas de Jesus. Suas promessas hão de se concretizar em nossas vidas, podemos ficar firmes e perseverar com Ele até o fim. Jesus é fiel para conosco e ao que vencer, Ele nos disse, “dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus” (Ap 2.7). Amém! Bendito seja Deus. 


CONCLUSÃO

Nossa primeira parte introdutória às sete cartas é concisa e, na segunda parte, iremos abordar a visão do Jesus Glorificado e seu senhorio. É muito importante conhecê-lo, suas características nos revelam o quão grande e majestoso Ele é. Esse Deus passeia no meio da igreja e em meio às crises da vida, Ele nos vê. Onisciente, Onipresente e Onipotente! O que há que seja impossível a Ele?

Concluímos levantando algumas questões das quais deverá responder a si mesmo em sinceridade e em verdade para com Deus. Esperamos que sirvam para te fazer refletir e meditar no assunto:

O Apocalipse está aberto para nós, mas estamos lendo suas profecias? Estamos meditando em seus ensinos? A promessa para nós é de felicidade, não devemos ter medo de seu conteúdo como alguns têm. Essa é a Palavra de Deus, revelada a nós por amor. Valorizemo-a.

Você se lembra de qual foi a última vez em que aplicou os conselhos de Jesus às igrejas da Ásia com relação a sua vida espiritual? Suas advertências são para nós preservar a zoe, vida eterna. Deveríamos o quanto antes colocá-las em prática, pois em breve virá e não tardará.

Graça e paz são uma certeza na vida daqueles que foram lavados no sangue de Jesus, mas como sacerdotes, temos prestado um louvor verdadeiro e sincero a Ele? E quanto a nossa esperança, ela tem sido uma certeza?

Estamos nos preparando para encontrarmos com Ele, como as virgens prudentes? Como está a nossa candeia? Voltemo-nos a Deus, arrependemo-nos dos nossos pecados e estejamos preparados para o Seu chamado. Ele é o Alfa e o Ômega, “o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8). Amém, ora vem Senhor Jesus! Que Deus o abençoe.


NOTAS DE RODAPÉ

NT1 - “Em meados do século II, um homem chamado Montano havia previsto que a nova Jerusalém, em breve, iria aparecer em Pepuza, uma paróquia rústica na província da Frígia”. Para conhecer mais leia Guia Profético Para o Fim dos Tempos, 1º Edição, CPAD, p.12.

NT2 - “No século IV, um popular líder da igreja chamado Martinho de Tours declarou que o ‘o anticristo já nasceu’ e que esse governante subiria ao poder durante a vida do próprio Martinho”. Para conhecer mais leia Guia Profético Para o Fim dos Tempos, 1º Edição, CPAD, p.13.

NT3 - Por volta de 1834, “Joseph Smith afirmou que Jesus estabeleceria a nova Jerusalém no condado de Jackson, Missouri. Com isso, ele fundou um movimento religioso mundial que negava as verdades bíblicas essenciais sobre Jesus. Ainda hoje, os mórmons esperam que Cristo volte em algum lugar ao longo da periferia leste de Kansas City”. Para conhecer mais leia Guia Profético Para o Fim dos Tempos, 1º Edição, CPAD, p.13.

NT4 - A palavra escatologia tem origem em dois termos gregos: escathos, ‘último’, e logos, ‘estudo, mensagem e/ou palavra’. Escatologia se refere, portanto, ao estudo das últimas coisas. Os temas estudados versam sobre o Arrebatamento, Grande Tribulação, Milênio, Julgamento Final etc.

NT5 - Septuaginta foi a primeira tradução da Bíblia, do Antigo Testamento hebraico para o grego. Uma carta (conhecida como a Carta de Aristeias) nos narra que este fato se deu por um pedido do rei Ptolomeu II e, para que houvesse um exemplar na biblioteca de Alexandria, ordenou que fosse escrita uma solicitação ao sumo sacerdote de Jerusalém, a fim de que enviasse 72 dos seus melhores estudiosos para fazerem a tradução. Após ficar pronta, a tradução fora muito elogiada e, por este motivo, os estudiosos retornaram para Jerusalém cheios de presentes valiosos.

NT6 - “Para mostrar aos seus servos” (Ap 1.1). A palavra utilizada para servos, no grego, é “doulois” e significa “escravos”. O escravo era aquele comprado por um preço, e Jesus nos comprou com seu sangue, o bom preço (I Co 6.20).

NT7 - A palavra “tempo” utilizada em Apocalipse 1.3 é Kairós, do grego, e, trata-se de uma palavra usada para o “tempo” em sentido profético, diferente do Chronos. Alude ao tempo de Deus no qual devemos julgar à luz de II Pedro 3.8. Seu calendário é diferente do nosso (At 1.7).

NT8 - É necessário se atentar para o fato de que o Arrebatamento da Igreja e a Volta de Jesus são eventos distintos. O primeiro será para os santos, o segundo será com os santos.

NT9 - A palavra vida (zoe) aparece 36 vezes no Evangelho Segundo João; nunca bios, vida biológica. Zoe se refere à vida do alto, à vida eterna, à vida abundante. Para conhecer mais leia Comentário Bíblico Beacon, Vol 7, CPAD, p. 28


REFERÊNCIAS

Bíblia Sagrada - Almeida e Corrigida, Almeida e Corrigida Fiel e Versão Católica 
As Sete Igrejas do Apocalipse; CPAD - Steven J. Lawson
Comentário Bíblico Beacon; CPAD, Vol 10 - Vários Autores
Apocalipse, O Futuro Chegou; Hagnos - Hernandes Dias Lopes
A Bíblia e Sua História; SBB - Stephen M. Miller e Robert V. Huber
Guia Profético Para o Fim dos Tempos; CPAD - Timothy Paul Jones
Sete Cartas - Apostila do Instituto Bíblico da Igreja Cristã Maranata, 2016
Guia de Estudo Bíblia Fácil - Apocalipse; Novo Tempo - Vários Autores

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