A PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS

  POR RODRIGO H. C. OLIVEIRA



Dentre todas as parábolas de Jesus, algumas se destacam. Esse é o caso da Parábola das Dez Virgens (Mateus 25.1-13); conhecidíssima pelos cristãos.

Jesus estava assentado no monte das Oliveiras quando contou essa parábola aos seus discípulos. Ali, o Mestre estava nos alertando quanto à necessidade de estarmos sempre vigilantes e preparados, pois, em verdade, Sua vinda pode se dar a qualquer momento. 

Tomando, pois, a palavra, Jesus disse: “O Reino dos Céus é semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo” – Mateus 25.1

É interessante que tais mulheres eram, todas elas, virgens. As dez possuíam lâmpadas e vestiam-se de modo adequado. A princípio todas tinham luz. No entanto, cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas.

Mas, qual foi o real motivo que conduziu algumas à loucura e outras à prudência?

Nesse caso, o texto original em grego nos concede certo esclarecimento.


MŌRAI E PHRONIMOI

A palavra utilizada para “loucas” ou “néscias” é “mōrai” (gr. μωραὶ) e denota, primariamente, “lerdeza” e “lentidão”. Refere-se às pessoas que são “mentalmente inertes”, ou seja, pessoas que não raciocinam, analisam ou se atentam para o que está acontecendo ao seu redor.

Já a palavra utilizada para “prudentes” é “phronimoi” (gr. φρόνιμοι), cuja definição expressa aqueles que são “sábios” e “sensatos”. A raiz de phronimoi é “proneó”, que significa “ter entendimento, pensar”.

Portanto, em face de tais informações, fica evidente o porquê de as virgens loucas não possuírem azeite reserva. A verdade é que elas agiram de modo negligente: não se atentaram nem analisaram de forma adequada para tudo o que ocorreria; por isso se mostraram despreparadas para as bodas.

Daniel Santos observa que as virgens loucas representam os crentes que vivem de modo descuidado quanto à sua vida espiritual. Elas fazem, na verdade, pouco caso das responsabilidades espirituais. Fazem pouco caso da oração (Rm 12.12; I Ts 5.17); da leitura à Palavra (II Tm 3. 15-17); do amor fraternal (I Ts 3.12; 4.9), etc.

As cinco loucas demonstraram insensatez ao não se preocuparem em levar azeite o suficiente em suas vasilhas e lâmpadas (Hb 6.12; Pv 18.9). Além disso, elas demonstraram hipocrisia, isto é, falsa espiritualidade e fingimento (Mt 25.3,8; I Pe 2.1; Is 9.17; Ez 33.31,32; II Co 5.12)¹.

As prudentes, porém, se atentaram e foram sensíveis para pensar nas possibilidades que poderiam vir a ocorrer. Agiram de forma sábia, com entendimento. Por esse motivo, tendo o noivo demorado (cf. Mt 25.5), mostraram-se precavidas e preparadas ante tal fato.


O GRITO DA MEIA-NOITE

“Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!” – Mateus 25.6

Então, aquelas virgens se puseram de pé e ajeitaram suas lâmpadas, ocasião em que “as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja o caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que vendem e comprai-o para vós” – Mateus 25.8,9

No entanto, já era tarde demais. Que triste resultado encontrarão todos aqueles que buscarem o combustível da luz quando já não houver mais quem os proveja. O fato é que logo em breve se darão conta que “o esposo chegou” e “as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas” (v. 10), fechando-se a porta.

E a porta, uma vez fechada, não irá se abrir diante das desculpas, diante dos argumentos, diante do desespero ou da angústia. Para aqueles que viveram de modo negligente e imprudente, a voz do Senhor falará: “Em verdade vos digo que não vos conheço” (v. 12).

Pois, se não há comunhão entre luz e trevas, como poderiam os que andaram em escuridão entrar para as bodas dos que andaram na luz?

Cada um de nós, portanto, precisamos buscar ao Senhor enquanto há tempo. Ninguém poderá compartilhar conosco a sua santificação, sua salvação, etc. Trata-se de uma experiência individual de cada um com Deus.


LUZ, VIGILÂNCIA E PRUDÊNCIA

“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” – Mateus 24.42

A verdade é que o esposo (Jesus) pode chegar a qualquer momento. Não sabemos qual será o dia nem a hora.

No entanto, como noiva virgem e pura, necessitamos também da prudência e sensibilidade. Sensibilidade para estarmos atentos aos fatos e sinais que nos cercam dia após dia; e prudência para nos prepararmos adequadamente a fim de sermos salvos.

Sabemos qual é o tempo em que vivemos, pois diz a Escritura que há um poucochinho de tempo, e o que há de vir virá e não tardará” – Hebreus 10.37

Portanto, se quisermos entrar para as bodas, faz-se necessário que andemos no poder do Espírito Santo, bem como faz-se necessário tomarmos toda a armadura de Deus a fim de que sejamos vitoriosos:

“Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” – Efésios 6.14-17

Desse modo, enquanto não escutamos o grito que diz “aí vem o esposo”, permanecemos assim: perseverando em oração, vigilância e prudência. Somente desta maneira poderemos andar na luz a fim de estarmos aptos a, do lado de dentro, ouvirmos a porta se fechar. 


TREVAS, NEGLIGÊNCIA E DESPREPARO

“Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” – Mateus 15.7,8

Nada vale ser virgem ao passo que também anda-se em trevas. Trata-se de viver tão somente de aparências, e Deus - que sonda os corações -, sabe fazer distinção entre aqueles que são joio e aqueles que são trigo.

O Senhor não se engana com a aparência. Sabe muito bem quem é que o honra com os lábios e permanece com o coração distante dEle. Ele conhece os que andam em trevas e vivem continuamente no pecado. Nada há que lhe seja oculto.

Já alguns, mesmo tendo tido tempo, insistem em sua omissão e negligência: “E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu” – Apocalipse 2.21

O ai do Senhor já está preparado para aqueles que “ao mal chamam bem e ao bem, mal!”. O ai também já está preparado para aqueles que “fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade”. Também está preparado para os que “fazem do amargo doce, e do doce, amargo!”. Ai também dos “que justificam o ímpio por presentes e ao justo negam justiça!” (Isaías 5.20-23).

Ai dos que são segundo a carne e inclinam-se para as coisas da carne (Rm 8.5), “porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” – Romanos 8.6-8

“...porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?”  – II Coríntios 6.14


CONCLUSÃO

As cinco virgens loucas começaram bem. A princípio, tinham luz. Mas por terem agido de forma imprudente e negligente, permitiram que suas lâmpadas se apagassem. Desse modo, passaram a andar em trevas, na carne.

E infelizmente “o arrependimento virá a muitos quando for tarde demais” – J. C. Ryle

As cinco virgens prudentes, por outro lado, agiram de forma adequada e mostraram-se preparadas. Apesar das circunstâncias, possuíam luz e nela caminhavam. 

A Palavra nos diz: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus” – Romanos 8.9,13,14

Sendo assim, esteja nosso espírito, alma e corpo plenamente conservados e irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (I Ts 5.23).

Ademais, atentemo-nos para o conselho que diz: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir” – Mateus 25.13


Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!


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REFERÊNCIAS

¹ SANTOS, Daniel. A Parábola das Dez Virgens - Análise Histórica e Profética. Disponível em: https://www.palavrareveladaoficial.com.br/2020/02/as-dez-virgens-momento-aviso-e.html

STRONG. Concordância de Strong. Disponível em: https://biblehub.net/searchstrongs.php?q=

VINE, W. E. Dicionário Vine. CPAD.

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