A CARTA DE PAULO A FILEMOM

POR JEFFERSON MIRANDA
A CARTA DE PAULO A FILEMOM

"Mando-o de volta a você, como se fosse o meu próprio coração...Assim, se você me considera companheiro na fé, receba-o como se estivesse recebendo a mim."  (Filemom 12, 17)


Introdução

Entre as epístolas escritas por Paulo, a epístola a Filemom é a que possui menos conteúdo textual, por outro lado, é a epístola mais prática de Paulo, na verdade, é uma epístola individual. O que torna ela objetiva com tão pouco conteúdo? O que uma epístola de 25 breves versículos pode nos ensinar? Por meio deste estudo nós vamos buscar o ensinamento bíblico e prático da epístola a Filemom.

Desenvolvimento

Nessa breve epístola, Paulo pede a Filemom para perdoar o seu escravo, Onésimo, que havia fugido, não mais como escravo, mas como irmão. Paulo, em sua epístola, não descreve o motivo da fuga de Onésimo, o que podemos afirmar é que Onésimo entrou em contato com Paulo na prisão por alguma razão. Ali na prisão, Onésimo se tornou cristão. Agora vamos procurar entender o contexto predominante daquela época.

Escravidão no período romano

A epístola a Filemom foi escrita por volta de 60 d.C. Nessa época, o Império Romano dominava o Mundo Antigo, portanto, as pessoas estavam sob julgo das leis romanas e suas práticas. Os romanos eram classificados em livres, escravos e libertos. Vamos descrever abaixo cada um desses grupos:
    • Livres: Eram os cidadãos romanos que podiam exercer as mais variadas tarefas na sociedade e usufruíam da liberdade que o Império Romano concedia.
    • Escravos: Eram pessoas que trabalhavam para os seus senhores com liberdade bastante limitada. As pessoas se tornavam escravas geralmente sendo vendidas por famílias pobres ou mercadores, alguns também se vendiam para não morrerem de fome. Os escravos eram um bem de seu senhor, não tinham direitos e poderiam ser tratados de qualquer forma. Entretanto, existia a possibilidade de o escravo comprar a sua própria liberdade, portanto se tornava liberto, que é o próximo grupo que iremos descrever.
    • Libertos: São ex-escravos que compravam a sua liberdade, mas isso não significava que eram livres como os cidadãos. Porém, os filhos de libertos nasciam como livres, ou seja, eram verdadeiros cidadãos romanos. Portanto, eles poderiam viver de maneira autônoma e, se quiser, longe de seus antigos senhores.

Já temos um entendimento razoável de como funcionava os grupos sociais no período romano. Agora vamos para o caso particular deste estudo.

Situação de Onésimo

Não sabemos a atividade que Onésimo exercia como escravo, o que sabemos é que ele era escravo de um cristão recém-convertido chamado Filemom. E, como dito acima, não sabemos exatamente o propósito da visita de Onésimo a Paulo na prisão, porém, o que sabemos é que Onésimo tinha medo de voltar para Filemom, o seu senhor.  Paulo, todavia, intercede por Onésimo e pede para que Filemom receba ele com amor e não com rancor.

"Talvez ele tenha sido separado de você por algum tempo, para que você o tivesse de volta para sempre, não  mais como escravo, mas, acima de escravo, como irmão amado. Para mim  ele é um irmão muito amado, e ainda mais para você, tanto como pessoa  quanto como cristão." (Filemom 1:15,16)


O caráter de Paulo antes e depois de conhecer a Cristo

Os fariseus não acreditavam que Jesus era o Messias, portanto houve perseguição aos cristãos após a ascensão de Jesus Cristo, o Messias. Antes de se tornar apóstolo, Paulo era um dos rigorosos fariseus que perseguiam e prendiam cristãos no início da Igreja Primitiva, sendo assim, os cristãos não tinham direito de exercer a sua fé e propagar as boas novas de Cristo. Mas em um certo dia, Paulo estava indo a Damasco para prender cristãos, porém Cristo se revelou a Paulo em forma de luz e questionou a causa da perseguição que Paulo fazia, nesse momento, ele entendeu que estava perseguindo a verdadeira fé. Paulo, então, se converteu a Cristo e iniciou a sua jornada de apostolado. Portanto, o Espírito Santo passou a habitar em seu coração.

O perdão em prática ensinado por Paulo 

Quando Paulo escreveu a carta a Filemom, ele estava preso por ter pregado o evangelho. Mesmo preso, ele não apostatou da fé e persistiu na caminhada cristã. Como dito antes, a esta carta é a mais prática de todas as cartas escritas por Paulo. O apóstolo, por meio de seu caráter, demonstra como ele morreu para si e viveu para Cristo, pois os seus frutos evidenciam a sua santidade. Com Cristo habitando em nós, o perdão se torna uma prática natural e não exige esforços, portanto, Paulo pede para que Filemom, como cristão convertido, perdoe o seu escravo, pois o perdão é gesto central de toda a Palavra de Deus.

Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. (Mateus 6:12)

Conclusão
 
A carta de Filemom nos ensina que devemos sempre perdoar as pessoas, pois Cristo habita em nós, portanto, Ele nos capacita a perdoar as pessoas e recebê-las mesmo que elas tenham nos decepcionado bastante. Portanto, irmãos, Paulo nos ensina que o cristão verdadeiro perdoa o próximo e não guarda rancor. Paulo também pede para que Filemom coloque toda a culpa de prováveis danos que Onésimo causou na conta do próprio apóstolo. (Filemom 18, 19) E é isso que agrada a Cristo, a igreja, povo de Deus, vivendo em comunhão e alegria e aguardando a sua Gloriosa Vinda!
 
Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas". (Mateus 6:14,15)


Bibliografia
MAGNO PAGANELLI, O panorama do Novo Testamento. Geográfica Editora, 2015
PAULO WON, E Deus falou na língua dos homens. Thomas Nelson Brasil, 2020
ANDRÉ DANIEL REINKE, Os Outros da Bíblia. Thomas Nelson Brasil, 2019

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