A PARÁBOLA DO CREDOR INCOMPASSIVO

 POR RODRIGO H. C. OLIVEIRA

O Servo Perdoado Sufoca Seu Conservo (Mt 18.28)

Parábola do Credor Incompassivo (cf. Mateus 18.21-35) retrata com grande clareza a graça de Deus e a responsabilidade do homem com relação ao seu próximo.

Aliás, todo o capítulo 18 traz riquíssimos ensinamentos de Jesus quanto às condutas dos seus discípulos. Devemos ter sempre em mente que o Reino de Deus possui valores infinitamente mais elevados, e nós, como "reino sacerdotal" e "embaixadores de Cristo", devemos refletir tais valores a fim de sermos sal e luz do mundo.

No texto em análise observamos que Pedro se aproximou de Jesus e perguntou: "Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?" 

Ao passo que Jesus lhe respondeu: "Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete" Mateus 18.21,22

Ora, "por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos" - Mateus 18.23


10 MIL TALENTOS

"E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos" - Mateus 18.24

Repito: DEZ MIL TALENTOS! É isso mesmo! Na verdade, o valor era tão alto que tratava-se de uma dívida impagável. Dez mil talentos corresponde, no mínimo, a 270 toneladas de metal. Um único talento corresponde a 6.000 denários e, à base de um denário por dia (cf. Mt 20.2), o servo necessitaria de 164.000 anos de trabalho para poder quitar a sua dívida!

Coitados de nós; já nos disse o salmista que "os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando" - Salmos 90.10

Dessa forma, não tendo aquele servo "com que pagar, o seu Senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse" - Mateus 18.25

Porém, o servo logo se prostrou e reverenciou o seu Senhor, dizendo: "Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei" - Mateus 18.26

"Então o Senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida" Mateus 18:27

Que sorte!  Diriam alguns. Mas o fato é que o rei agiu de misericórdia e, graciosamente concedeu àquele homem o seu perdão. Imaginem, uma dívida impagável, 164.000 anos de trabalho, tudo perdoado.

O que Jesus está nos ensinando é que diante do Senhor nós somos todos devedores, sem exceção. "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" - Romanos 3.23

E não há absolutamente nada que poderíamos fazer a fim de quitar essa dívida com Ele, pois trata-se de uma dívida impagável, impossível a nós. No entanto, se reconhecermos tal fato e clamarmos ao Senhor para que seja generoso para conosco, Ele, por sua misericórdia e graça, nos perdoa as nossas dívidas em Cristo Jesus.

Assim escreveu o apóstolo Paulo: "... perdoando-vos todas as ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz" - Colossenses 2.13,14

Não que mereçamos. A verdade é que não merecemos. O perdão se dá tão somente pela bondade, generosidade, compaixão, graça e misericórdia do Senhor para conosco. Bendito seja o Senhor que nos perdoa.


100 DENÁRIOS

"Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves" - Mateus 18.28

Ora, 100 denários (ou dinheiros) corresponde a 100 dias de trabalho. Tratava-se de uma dívida que poderia ser quitada em cerca de apenas 3 meses.

"Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei" - Mateus 18.29

No entanto, o servo que acabara de receber o perdão por uma dívida de 164.000 mil anos não foi capaz de perdoar ínfimos 3 meses de trabalho, "antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida" - Mateus 18.30

Porém, outros dos seus conservos viram tudo o que ocorrera, e contristaram-se muito diante daquela situação. Então eles foram à presença do Rei a fim de lhe declarar tudo o que sucedera. Dessa forma, o Rei chamou aquele servo e disse:

"Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu Senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que lhe devia" - Mateus 18.32-34

Aqui, a palavra grega utilizada para "malvado" é "ponēre" (gr. πονηρέ) e refere-se àquele que é "ruim, perverso". Que triste resultado! O fato é que aquele Rei esperava que seu servo agisse de outra maneira. Esperava-se, na verdade, que o servo agisse de misericórdia da mesma forma como recebeu misericórdia, mas este mau servo preferiu agir de perversidade.

No entanto, para nós, há um grande ensinamento aqui. O apóstolo Paulo sabia muito bem acerca de tal ensino, afinal, ele mesmo escreveu a respeito sob inspiração divina: "Sede meus imitadores, como também eu de Cristo" - I Coríntios 11.1

Deus espera que sejamos seus imitadores. Que sejamos parecidos com Ele. Que sejamos santos como Ele é santo (I Pe 1.15,16). Que sejamos perfeitos como Ele é perfeito (Mt 5.48). Que andemos conforme suas pisadas. Porque, em verdade, para isto fomos chamados; "pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas" - I Pedro 2.21

"Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?" é, portanto, a pergunta que Deus faz a todos nós.

Sendo assim, o esperado é que "toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo" - Efésios 4.31,32


O ALERTA

Por não corresponder ao benefício que lhe tinha sido feito, aquele servo malvado foi entregue aos atormentadores, até que pagasse tudo o que ele devia. Lembremo-nos de que tal dívida era impagável, portanto, aquele mau servo estava condenado a sofrer por toda eternidade. Este é o triste resultado que aguarda todos quantos não perdoam ao seu próximo.

Atentemo-nos para o alerta de Jesus, que diz: "assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas" - Mateus 18.35

"Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas" - Mateus 6:14,15

Portanto, "sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição" - Colossenses 3.14


Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!

Obs: gostou desse conteúdo? Acesse também "O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE O PERDÃO?" clicando aqui.


REFERÊNCIAS

Bíblia Sagrada. Almeida Corrigida Fiel.
SNODGRASS, Klyne. Compreendendo Todas as Parábolas de Jesus; CPAD.
Lições Bíblicas. As Parábolas de Jesus - As Verdades e Princípios Divinos Para Uma Vida Abundante. 4º Trimestre de 2018; CPAD.

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