A PARÁBOLA DA GRANDE CEIA - ANÁLISE HISTÓRICO E PROFÉTICA

POR ÁLVARO OSTROSKI
A PARÁBOLA DA GRANDE CEIA - ANÁLISE HISTÓRICO E PROFÉTICA

"Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos". Lucas 14:16

Vamos fazer um estudo Histórico, visando entender o contexto sócio-cultural da época em que a Parábola foi contada e o que os primeiros ouvintes ou leitores entenderam ao ter contato com ela. Posteriormente vamos fazer uma aplicação profética da mesma, ou seja, o que ela tem haver com nossa vida hoje no século 21.

CONTEXTO HISTÓRICO DA PARÁBOLA

Para compreender a Parábola precisamos ir para o verso 1 do Capítulo 14 de Lucas.

Lc 14:1 – O texto diz que: 
a) era sábado;
b) Jesus estava na casa de um dos principais fariseus para uma refeição; 
c) eles o estavam observando, ou seja, queriam ver qual seria o comportamento de Jesus.

Lc 14:2 – Tinha um personagem diferente na mesa. Um homem hidrópico, ou seja, alguém com uma enfermidade conhecida como barriga d’água. 
Porque esse homem estava ali?

Vejamos Lc 13:10-17. Lendo tal texto conferimos que num sábado, talvez o anterior ao ocorrido, ou próximo dele, Jesus curou uma mulher na sinagoga (os principais dos fariseus ficavam nas sinagogas) e isso suscitou um debate entre os fariseus e Jesus sobre o fato de Ele curar no sábado.

Logo observamos que o convite para a refeição de Lc 14:1, bem como a presença de um hidrópico nela tinha no fundo um teor sórdido e uma motivação traiçoeira.

Lc 14:3-6 – Jesus se mantém firme na sua posição, mesmo sendo posto a prova e cura o hidrópico. Esse foi um dos 7 milagres operados por Jesus durante seu ministério no sábado.

Lc 14:7 – Jesus percebe ainda que os convidados para aquela refeição gostavam de ser aclamados, honrados, exaltados.

Lc 14:8-11 – Jesus propõem uma Parábola que podemos chamar de Parábola dos Primeiros Assentos e nela podemos observar alguns aspectos:
a) não queira se auto-exaltar, não seja soberbo achando-se mais importante que os outros (v.8a);
b) se você for soberbo pode se envergonhar (v.8b e v.9);
c) seja humilde (v.10) e poderá ser reconhecido e exaltado (v.11).

Lc 14:12-14 – Jesus agora se dirige ao anfitrião da refeição percebendo que o mesmo estava a fornecendo para dar um ar de generosidade e diz:
a) quando você quiser ser generoso não chame para uma refeição pessoas que futuramente poderão te recompensar por isso (Jesus não estava dizendo que não podemos organizar uma refeição com nossos amigos e familiares) (v.12);
b) Se quiser ser generoso ajude quem realmente precisa (v.13);
c) Esse ato de generosidade será recompensado no futuro pelo Senhor (não podemos entender aqui que as boas obras nos darão a Salvação, mas pelo contexto geral das Escrituras as boas obras acompanharão os salvos – Tg 2:14-26).

Lc 14:15 – Jesus no verso 14 usa o termo “bem-aventurado” e o convidado do banquete  também vai usar o termo “bem-aventurado” para fazer uma espécie de paralelo entre a recompensa na ressurreição dos justos e comer pão no reino de Deus. Era comum a idéia de um grande banquete dado por Deus aos salvos no futuro.

Lc 14:16 – Jesus usa um “porém” agora onde Ele vai fazer um contraponto ao que o convidado havia dito a fim de demonstrar que nem todos fariam parte do grande banquete que será dado por Deus no futuro e pela Parábola que Jesus vai contar Ele vai dar a entender que muitos dos fariseus que ali estavam naquela refeição estariam de fora do banquete futuro. 

PARÁBOLA DA GRANDE CEIA

Lc 14:16 – Certo homem é uma referência a Deus Pai; Convidou a muitos é uma referencia ao judeus e mais especificamente aqui, pelo contexto, aos fariseus.

COMO ERA FEITO UMA CEIA DESTE PORTE?

Era feito um convite inicial com antecedência onde as pessoas confirmavam se iam ou não. Tendo o número de convidados confirmados o anfitrião preparava os alimentos, com muito cuidado e zelo, pois em tal época sobrar alimentos em uma ceia era sinal que o anfitrião era um esbanjador, desleixado e indigno de confiança, tendo em vista o alimento ser algo escasso. Prepara a ceia o servo do anfitrião ia chamar os convidados para virem participar e em tal época confirmar que ia e não ir era uma desonra muito grande, pois como dito caso sobrasse comida o anfitrião teria sua reputação manchada perante a comunidade.

Lc 14:17 – Preparada a ceia era o momento de chamar os convidados.

AS DESCULPAS ESFARRAPADAS

Lc 14:18-20 – Todos os que rejeitam ir a ceia depois de terem confirmado que iam usam desculpas absurdas:
a) o primeiro disse que comprou um campo e precisava ir vê-lo, ora, ninguém comprava um campo sem antes ir testá-lo para ver se era fértil, a negociação do campo durava um ano, período das colheitas;
b) o segundo diz que comprou 05 juntas de bois e precisava ir experimentá-las, mais uma desculpa esfarrapada, pois ninguém comprava uma junta de bois sem antes testar, não se comprava para depois ir testar;
c) o terceiro diz que ia casar no mesmo instante da ceia, absurdo, pois um casamento levava tempo para ser preparado, existe ainda a possibilidade de que na realidade não era um casamento matrimonial, mas um encontro com uma prostituta.

Todas as referencias aqui são de pessoas de posses, honradas pela sociedade, assim como aqueles convidados que queriam os primeiros lugares.

Lc 14:21-24 – Jesus termina com o mesmo ensino que havia dado nos versos 12 a 14, ou seja, os excluídos da sociedade são chamados, possivelmente um referencia ao publicanos, pecadores, meretrizes e gentios no futuro.

APLICAÇÃO PROFÉTICA

Conhecendo detalhadamente, muito embora não exaustivamente, o contexto histórico da parábola ficamos mais seguros na hora de fazermos aplicações proféticas da mesma, pois não corremos o risco de cometermos uma Infidelidade Escriturística pensando ser uma “Revelação”.
Vou apenas pontuar alguns detalhes com relação à aplicação, pois certamente o Espírito Santo dará a cada muitos outros.

Lc 14:1-6 – Assim como Jesus foi posto a prova e não negou suas convicções, nós muitas vezes seremos colocados na “fornalha” e precisamos nos manter firmes na posição de servos de Deus.

Lc 14:7-11 – Não devemos nos apegar aos títulos que podemos ter na denominação ou aos títulos, cargos e honrarias do mundo. Devemos manter nossa humildade diante do Senhor, assim como Neemias que não invocou seu título elevado de Copeiro do Rei, mas antes se humilhou diante do Senhor em favor de Jerusalém. Paulo por diversas vezes vai usar termos como “o menor dos apóstolos”, “o menor dos santos” a si mesmo.

Quem se assentou mais perto do anfitrião? Quem era mais próximo. Perceba o termo usado pelo anfitrião para chamar quem era mais próximo,  "amigo". Vc pode ser chamado por Jesus de amigo? Chamado por ser mais próximo?

Lc 14:12-14 – Jesus sempre combateu a hipocrisia dos fariseus e o crente não pode ser hipócrita da mesma forma, passando um ar de generosidade, contudo esperando a recompensa deste mundo, nossa recompensa está na eternidade. Não faça nada na obra de Deus esperando recompensas humanas, isso não terá valor futuro, esse é o mesmo principio da oração e do jejum no Sermão do Monte (Mt 5-7). Também aprendemos a dar o pão do céu ao faminto, bem como o pão físico ao verdadeiramente necessitado.

Lc 14:15-24 – Primeiro, não podemos incorrer no mesmo erro dos fariseus, que sendo judeus deram no Monte Sinai a confirmação que fariam tudo conforme o Senhor tinha dito, mas que quando veio o chamado para o reino feito pelo Filho de Deus usaram as desculpas mais esfarrapadas e mundanas possíveis, colocando a frente do reino seus interesses pessoais. Por segundo, muitos estão sendo chamados nesta hora pelo Espírito Santo e de Jesus eles até gostam, afinal quem não quer ser salvo do Inferno, mas quando descobrem que Jesus também é Senhor e que suas vontades precisam estar submissas a Dele vão para seus interesses e negam o espiritual.


Referências:
Bíblia de Estudos NVI
Comentário Histórico-Cultural da Bíblia
Palestra do Arqueólogo Bíblico Drº Rodrigo Silva (encontrada no Youtube)
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