LIÇÃO 3 - A INERRÂNCIA DA BÍBLIA

  POR RODRIGO H. C. OLIVEIRA


Texto Áureo: "Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido" - Mateus 5.18

A Bíblia, como constantemente temos afirmado, é a Palavra de Deus. Deste modo ela é verdadeira, inerrante e infalível. E por não possuir erros ou falhas nós podemos, portanto, confiar inteiramente em seu conteúdo. Assim sendo, devemos ter sempre em mente que "... a Escritura não pode ser anulada" - João 10.35

Na lição de hoje iremos aprender um pouco mais sobre a inerrância da Bíblia. Que Deus o (a) abençoe!
 

I - QUE É INERRÂNCIA BÍBLICA?

A inerrância bíblica é a doutrina que aponta para o fato de que as Sagradas Escrituras não contêm erro algum. É importante mencionar, portanto, que a Bíblia não mente e nem erra. Ela é verdadeira em tudo que ensina, ou seja, podemos confiar que seu conteúdo -- seja cultural e histórico, científico ou social, bem como seus aspectos doutrinários e espirituais -- sempre são verdadeiros e honestos.

Outro termo importante (infalível) aponta para o fato de que a Palavra de Deus também não pode falhar. Nos afirma o livro do profeta Isaías que a Palavra de Deus não volta vazia, antes, cumprirá o que lhe apraz: "Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei" - Isaías 55:10,11

Também nos afirma o salmista que "a lei do Senhor é perfeita, e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança, e tornam sábios os inexperientes" (Sl 19.7). Neste sentido, escreve Philip Wesley que inerrância "traz a conotação de que a Bíblia não contém nenhum erro de ação (erros materiais), nem contradições internas (erros formais)".¹

Além disso, o livro de Provérbios também nos diz que "toda palavra de Deus é pura" (Pv 30.5). Aliás, o próprio Senhor Jesus, ao afirmar que nem um jota ou um til seria omitido da lei sem que antes tudo fosse cumprido, atestou que mesmo os sinais diacríticos da Palavra eram inspirados pelo Espírito Santo. Cada detalhe, portanto,  é importante, e nós não podemos desprezar absolutamente nada.


II - A BÍBLIA SE CONTRADIZ?

Ora, se a Bíblia é inerrante, por que o livro de Atos cap. 9 verso 7 contradiz o cap. 22 verso 9? Na verdade, querido leitor (a), não há contradição. O que existe é uma aparente contradição que, à luz do texto original em grego, se resolve com facilidade. Vejamos:

Nos diz a Palavra acerca de Saulo de Tarso que, "indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?" - Atos 9.3,4

O grande Saulo agora estava caído diante de Cristo. O próprio Jesus gloriosamente se revelou a ele no caminho de Damasco. Destaca-se no verso acima a expressão "ouviu uma voz" pois ela está construída, no original em grego, sob o caso acusativo.

Qual é a importância disso? Ora, significa que a indicação textual aponta para o fato de que Saulo ouviu uma voz inteligível que enfatiza a audição do conteúdo. Mas por que tal informação é necessária? Porque o verso 7 do mesmo capítulo diz que "os varões, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém".

Há uma diferença na forma grega utilizada aqui em face da afirmação anterior na qual Saulo ouviu uma voz. No verso 7 o caso grego utilizado é o genitivo, e não o acusativo. Mas o que isso significa? Significa que os que estavam em sua companhia ouviram uma voz/som sem qualquer compreensão do conteúdo proclamado.

Eles ouviram um som, mas não entenderam a mensagem. Escutaram uma voz, mas não compreenderam seu conteúdo. Isso elimina qualquer hipótese de contradição que os incrédulos apontam em Atos 22, onde Paulo narra que os que estavam com ele "viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito; mas não ouviram a voz daquele que falava comigo (verso 9).

Aqui o caso também está no acusativo à semelhança do verso 4 do cap. 9. Isso confirma que Saulo ouviu não apenas uma voz/som, mas uma mensagem com conteúdo. Já seus companheiros ouviram uma voz/som, mas não entenderam qual era a mensagem.

"Isto resolve a aparente contradição entre o versículo e a afirmação de Paulo em 22.9 de que seus companheiros 'viram, em verdade, a luz... mas não ouviram a voz [acusativo] daquele que falava comigo'. Eles ouviram um som, mas somente Saulo pôde identificar as palavras proferidas pela voz.

Uma situação semelhante parece estar descrita em João 12.28,19. Quando uma voz veio do céu, a multidão dos que não criam 'dizia que tinha sido um trovão'. Alguns que tinham maior discernimento espiritual, pensaram que um anjo tinha falado. Mas aparentemente, somente Jesus e os seus discípulos compreenderam as palavras" (Comentário Bíblico Beacon, Vol 7, p. 274, 275).


CONCLUSÃO

Vimos, nesta lição, que a Palavra de Deus é infalível e inerrante; não falha jamais. Também apresentamos uma aparente contradição e esclarecemos o seu real entendimento à luz do texto original. Há outras aparentes contradições como esta em toda Escritura, mas enfatizamos que são contradições aparentes, e não reais. Ressaltamos com isso a importância elementar da qual todo cristão (e principalmente aqueles que ensinam) devem se atentar: estudar os idiomas originais da Bíblia são de fundamental importância para não cairmos em erro ou incredulidade. 

A Bíblia foi inspirada pelo Espírito de Deus, e este a tem preservado até os nossos dias sem falha, erro ou contradição. Valorizemos, portanto, a Palavra de Deus.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!


REFERÊNCIAS

¹ COMFORT, Philip Wesley. A Origem da Bíblia. Rio de Janeiro, CPAD, p. 63.
BAPTISTA, Douglas. A Supremacia das Escrituras - A Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus. CPAD, 2022

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