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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

AS SETE CARTAS DO APOCALIPSE



1 - OS TRÊS PROPÓSITOS DE CRISTO INTRÍNSECOS NAS SETE CARTAS

1.1 - O primeiro objetivo das cartas era de se comunicar com as igrejas literais e satisfazer as suas necessidades naquele momento.

1.2 - O segundo propósito era de revelar sete tipos diferentes de indivíduos/igrejas ao longo da história e instruí-los na verdade de Deus.




1.3 - O terceiro propósito é usar as sete igrejas para prenunciar sete diferentes períodos da história da Igreja cristã. Portanto o conteúdo do livro de apocalipse é totalmente profético. Falaremos sobre isto nas próximas linhas.



2 - A INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA E OS ASPECTOS PROFÉTICOS

Introdução

Pela bendita graça do Senhor, coube-nos a tarefa de trazer a lume a essência dos acontecimentos históricos relacionados nas sete cartas dirigidas pelo Senhor Redivivo às sete igrejas da Ásia.

João fora exilado na ilha de Patmos que ficava no mar Egeu. Media dez milhas de comprimento por seis de largura. Era montanhosa e sem nenhuma vegetação. Era um terrível presídio romano para onde remetiam os piores criminosos daqueles tempos.

O apocalipse de João descreve os acontecimentos relativos à consumação da história da redenção do homem. Um verdadeiro drama escatológico nos é apresentado através de visões, revelações, símbolos e figuras que mostram a poderosa mão do Senhor restaurando todas as coisas em benefício do seu povo redimido.

O número sete indica completude, perfeição, plenitude: sete igrejas, sete estrelas, sete castiçais, sete cartas, sete selos, sete ais, sete parábolas, os sete dias da semana, etc. Tudo indicando algo que está completo.

Assim, as sete cartas indicam, sete períodos da história da igreja que ficará completa com as ocorrências referentes à última carta, ou seja, à igreja de Laodicéia.

2.1 - ÉFESO
Dados históricos e geográficos da cidade

Antiga capital da Jonia, estava localizada na costa do mar Egeu. Éfeso ocupava a posição de primeira e maior metrópole da Ásia pelos seguintes fatores:

Tinha o porto mais importante da Ásia.
Devido a sua lealdade ao imperador, possuía uma distinção política de ser uma cidade livre e poder governar-se a si mesma.
Em Éfeso foi construído o famoso templo de Artêmis, a Diana dos Efésios, que era considerado uma das maravilhas do mundo antigo. Era um local importante da religião pagã.
Além desse templo, havia também dois ou três templos construídos para adoração aos imperadores romanos.
Éfeso recebeu o evangelho com muito ardor. Paulo permaneceu em Éfeso por aproximadamente três anos (At. 19:10; 20:31) onde o Senhor Deus “pelas “mãos de Paulo, fazia maravilhas extraordinárias” (At. 19:11). Foi nessa cidade, que o mesmo apóstolo, levou doze varões à uma experiência mais profunda, na obra do Senhor (At. 19:1 - 7). Outros irmãos estiveram em Éfeso: Timóteo (l Tm. 1:3), Áquila, Priscila e Apolo (At. 18:19 , 24 , 26).
Na atualidade, só existem ruínas da grandeza passada, pois foi transformada no decorrer do tempo, em uma zona pantanosa arrasada, distante uns três ou quatro Km do mar.

Essência da carta
Ap. 2: 1 - 7
- Apreciação pelo seu labor e perseverança;
- Aversão aos falsos apóstolos;
- Paciência e firmeza de propósito;
- Lealdade ao evangelho do Senhor;
- Rejeição conjunta das obras dos Nicolaítas;
- Perda do primeiro amor;
- Exortação ao arrependimento.

Aplicação profética na história da igreja
- Caracterização dos nicolaítas:
Os nicolaítas eram julgados logo cedo, como adeptos de Nicolau, prosélito de Antióquia, e um dos sete diáconos (At. 6:5) que se desviou do evangelho. Deduzimos de Ap. 2: 14 - 15, que eles mantinham o mesmo erro dos Balaamitas, a saber, ensinar e comer coisas sacrificadas aos ídolos e prostituir ou adulterar. Foram estes, os primeiros pecados condenados pelo primeiro da igreja de Jerusalém, mais ou menos no ano 51 A.D. (At. 15:20).
É notável, que o nome de Nicolau e Balaão, são cognatos; Balaão = ele tem consumido o povo; Nicolau = ele vence o povo.
Se este ensino foi tão energicamente repelido pelos Efésios (v. 2) concluímos, que se espalhava rapidamente. Nicolau levantou um grupo na igreja, que se comprometeu com o paganismo, a fim de permitir que os cristãos participassem, sem embaraços em algumas sociedades seculares. Havia, por exemplo, em Tiatira, muitas indústrias de tecelagem, donde procedia, Lídia, a vendedora de púrpura (At. 16:14).

Situação social, política e econômica do primeiro século.
O Império Romano, compreendia no tempo do novo testamento, a todo o mundo civilizado desde o oceano Atlântico, a Ocidente do rio Eufrates; e mar vermelho a oriente; desde o Ródano, Danúbio, Mar Negro, e Montanhas do Cáucaso ao norte, até o Saara do Sul, estendia-se um vasto império sobre a chefia e a ditadura virtual do imperador, chamado no N.T., tanto rei, como Augusto (l Pe. 2: 17 e Lc. 2:1). O mundo do império Romano, não era diferente do mundo atual. Viviam lado a lado, ricos e pobres, homens virtuosos e criminosos livres e escravos e as condições sociais e econômicas eram, sob muitos aspectos, semelhantes às do presente. Os historiadores como Plínio, o Moço e Suetônio, mostram que as guerras constantes não haviam dilacerado as economias e o Império enfrentava sérias dificuldades de sobrevivência econômica. A escravidão era uma chaga social. De cada três cidadãos, dois eram escravos. E os escravos eram tratados como objeto de do qual podia se dispor a qualquer instante. O trato para comprar escravos era cruel e desumano. A imoralidade e a corrupção administrativa, eram males sociais irreprimíveis. O povo adorava centenas de deuses. O panteão estava abarrotado de imagens de todo o tipo: de quadrúpedes, de répteis (Rm. 1), sem excluir o culto dos imperadores. No entanto, os deuses em nada contribuíram para elevar os padrões morais políticos e sociais; pelo contrário, o politeísmo foi umas das causas da queda irreprimível do império.

Eis em poucas palavras, o mundo em que os pregoeiros da verdade do evangelho terçaram suas almas persuasivas levando a palavra da cruz, a milhões de perdidos.
2.2 - ESMIRNA
Período: Pós-apostólico - Era das perseguições
Dados históricos e geográficos da cidade:

Esta cidade era uma das mais prósperas da Ásia e era conhecida como “A coroa da Ásia”, pela sua beleza e sua formosura.
A posição geográfica de Smirna era privilegiada, pois havia um porto muito seguro, protegido por rochas. Era uma cidade conveniente para o comércio.
Smirna, a exemplo de Éfeso, era uma cidade livre, sendo considerada a mais fiel à Roma, entre todas as cidades orientais.
Smirna era portentosa, também pela cultura, conhecimento e artes.
Havia em Smirna, uma população de judeus, numerosos e influentes que eram hostis ao segmento de Jesus, opondo-se de todas as formas, à igreja.
Policarpo, foi nela martirizado em 155 A.D. durante a celebração dos jogos públicos.

Essência da carta - Ap. 2:8 - 11
Uma igreja atribulada;
O seu Senhor sofreu, morreu, mas reviveu;
Uma igreja pobre (materialmente), mas rica espiritualmente;
Existência de judeus blasfemos. Sinagoga de satanás. Eles se aliaram aos pagãos contra a igreja;
Uma tribulação de dez dias. Dez perseguições do Império Romano;
Apelo à fidelidade;
Promessa ao vencedor.

Aplicação profética na história da igreja.
Causas das perseguições:
A igreja não cultuava aos imperadores;
Ela não adorava a nenhum dos deuses que eram patronos de cidades e províncias, os quais foram importados da Grécia;
A igreja só reconhecia a Jesus Cristo como o Senhor quando todos adoravam os Césares e os chamavam de seus senhores;
Praticavam seu culto ao Senhor e celebravam os sacramentos independentemente;
Em questões de comportamento, os cristãos, superavam os pagãos, pois eram superiores na inteligência, na moral, e nos costumes.

A perseguição desencadeada por Diocleciano, foi tão atroz, que recebeu o título de “A era dos mártires”. Consta que ele chegou a cunhar uma moeda, com os dizeres: “Nomine Cristiano Delecta Est.”; Destruído o nome de cristão. Havia servos de Deus que estavam dispostos a pagar com a vida, o heroísmo de sua fé no Salvador. Na forja do sofrimento agudo, produziam os mais brilhantes caracteres. A luz da verdade, inevitável como os raios solares, penetrava às sombras do politeísmo, lançando por terra, os edifícios de areia movediça, os pantanais que se achava atolada, a desventurada raça humana.

A igreja se dispôs ao martírio, ao sofrimento, por amor daquele que lhe dera a própria vida, no patíbulo infamante da cruz. Era irresistível, o fascínio de seu corpo cicatrizado, de sua fronte perfurada pelos espinhos de uma coroa de cipreste. Seus pés e mãos, ultrapassados pelos agudos cravos, seu sangue derramado pela redenção de uma raça atolada na miséria moral. Crer e esperar, sofrer e sorrir eis o caminho traçado para o povo que se dispõe a servir ao Senhor.

2.3 - PÉRGAMO
Período:  Era de Constantino
O surgimento do catolicismo romano.
Dados históricos e geográficos da cidade

Sob o ponto de vista da história, Pérgamo era a maior de todas as cidades da Ásia. Existia em evidência desde 400 A.C. , e perdurou até 400 A.D.
Sua posição geográfica era importante, pois estava construída sobre uma colina elevada, cônica.
As principais características de Pérgamo, eram: Ser um centro cultural, e um grande centro religioso do mundo antigo.
A parte cultural abrangia a arte, escultura e filosofia. Em Pérgamo, havia uma biblioteca muito famosa;
No campo religioso, Pérgamo era um importante centro de adoração pagã. Havia dois santuários famosos, o templo de Atenas, e o templo de Esculápio, tinha também um altar de Zeus erigido num monte a 250 metros de altura, com aspecto de um trono. No culto a Esculápio, pessoas do mundo inteiro, corriam para buscar cura para suas enfermidades.

Essência da carta - Ap. 2: 12 – 17
O Senhor se apresenta com uma espada de dois gumes (sua palavra);
O Senhor conhece a situação da igreja;
Estímulo à coragem: Antipas, minha fiel testemunha;
O erro da tolerância, para com as doutrinas de Balaão: coisas sacrificadas aos ídolos e a prostituição;
Não negaste o meu nome: havia um remanescente fiel;
Apelo ao arrependimento;
Promessas: maná escondido, pedra branca, novo nome;

Aplicação profética na história da igreja
O maná era símbolo do próprio Cristo, de sua vida abundante oferecida ao crente. O pão que desceu do céu, e dá vida ao mundo (Jo. 6:48 - 51). Eles não precisavam participar dos banquetes do mundo, pois o Senhor preparou um banquete celestial para o seu povo redimido. A pedra branca, era símbolo da absolvição do réu. Nos tribunais da Grécia, os jurados exibiam uma pedra, cada um, como um voto. Se fosse para condenar o réu, a pedra seria preta, se fosse para absolvê-lo, a pedra seria branca. Além disso, a pedra branca, dava direito aos foros da cidadania celestial, aos salvos.

O novo nome era símbolo de identificação com o Senhor e de apropriação do seu poder para a realização de sua obra.

Pelo edito de Milão, em 313, Constantino libertou a igreja da perseguição e deu margem para que o paganismo, invadisse o arraial da cristandade, A igreja começa a divorciar-se da simplicidade do evangelho e a empenhar-se pelos pantanais do paganismo cujos reflexos ainda se acentuam no seio da igreja católica-romana, embora, sem nenhum fundamento bíblico.

 Inovações heréticas no culto cristão
- Adoçarão aos mártires;
- Adoração à Maria, “rainha do céu”;
- Adoração às imagens de escultura;
- Adoração às relíquias;
- Os sete sacramentos (Eucaristia, batismo, crisma, penitência, ordens, matrimônio, extrema unção;
- A transubstanciação;
- A regeneração batismal (o batismo faz o cristão);
- As velas, os turíbulos, os castiçais, etc.
- A casta sacerdotal: volta ao sacerdócio do V.T.;
- Os conventos;
- A missa (repetição desnecessária do sacrifício de Cristo feito uma só vez);
- A simonia (venda de cargos sagrados);
- A água benta;
- O purgatório (doutrina herética inventada por Gregório l);
- A intercessão pelos mortos (dia de finados);
- As indulgências (venda de perdão pelos pecados);
- Ordens monásticas (centros de corrupção moral);
- O uso de incenso; O sinal da cruz;
- O direito da primazia universal reivindicado pelo papa de Roma;
- A confissão auricular, além do direito de excomunhão e canonização do celibato clerical, romarias, imaculada conceição e infalibilidade papal.


2.4 - TIATIRA
Período: Idade média.
A impostura do sistema papal

Dados históricos e geográficos da cidade.
Fundada em 300 A.C., aproximadamente, estava localizada num vale, entre as cidades de Pérgamo e Sardo, à margem da estrada comercial romana.
Embora se adorasse ao imperador por efeito da ocupação militar, pelo Império Romano, Tiatira não tinha significado religioso especial algum.
Era um importante centro comercial e industrial de tecidos, e telas de lã. Lídia, a vendedora de púrpura, era de Tiatira (At. 16:14). Devido à essa característica, a cidade era a sede dos grêmios, ou sindicatos, que existiam com a finalidade de proteger os trabalhadores da indústria do comércio a eles filiados.
A característica desses grêmios, era celebrar banquetes em templos pagãos onde havia o ato religioso formal e a comida ali oferecida, era sacrificada aos ídolos.
Esses banquetes eram ocasião, para atos pecaminosos e bebedices.
A participação dos cidadãos nesses grêmios, e em suas atividades era condição fundamental para o êxito nos negócios em sua vida material.
O verdadeiro servo, não podia comprometer-se com o mundo dessa maneira, e viver o evangelho em sua plenitude

Essência da carta
Ap. 2 : 18-19
Cristo, O Filho de Deus. Olhos como chama, pés como latão reluzente (bronze polido);
Boas obras. Amor, fé, serviço, perseverança;
Tolerância para com Jezabel, a profetiza prostituta. Jezabel, Balaão, Belial. Símbolos dos poderes do mal;
A existência de um remanescente fiel;
Cada um receberá segundo as suas obras;
Exortados a conservar o que tinham;
Promessa: Autoridade sobre as nações, participação no reino, e no Juízo Final, recepção da estrela da manhã. Tudo isto, ao vencedor.

Aplicação profética na história da igreja
Caracterização de Jezabel.
A profetiza que propaga o ensino dos nicolaítas, é chamada Jezabel. Pois a rainha daquele nome, tentou estabelecer em Israel, um culto idólatra, em lugar do culto ao Senhor. Recebeu ela, a dura acusação de prostituição e feitiçaria (ll Rs. 9:22). Filha de Etbaal, rei-sacerdote de Tiro e Sidon, foi casada com Acabe, para ratificar uma aliança entre Tiro e Israel. Foi feita provisão, para que ela continuasse a adorar seu deus Baal em sua nova pátria (Samaria) l Rs. 16: 31-33.

Ela tinha um caráter forte e dominante, e era voluntariosa, e impetuosa. Para o culto de Baal, ela contava com 450 profetas, além de 400 profetas da deusa Aserá (l Rs. 18: 17-40). Mas nem o massacre de seus 450 profetas, foi capaz de diminuir seu zelo idólatra. Era altiva, inescrupulosa, idólatra e feiticeira, além de prostituta. Sua usurpação do trono, deu como resultado, o extermínio da casa de Acabe, determinado por Deus, através do rei Jeú (ll Rs. 10). Triste lembrança! Sem excluir o destino que acontece com aqueles que se rebelam contra o Senhor.

Assim, Jezabel, perturbadora de Israel, com seus pecados, idolatrias, feitiçarias e prostituição, além de ser assassina e sanguinária, tendo recebido das mãos de Deus o castigo que merecia, assim, surge, agora, no seio de Israel, uma Jezabel que encarna todas as características daquela Vetero-Testamentária.

“Mas tenho contra ti, que toleras Jezabel, mulher que se diz profetiza, ensinar enganar os meus servos, para que se prostituam, e comam o sacrifício da idolatria. Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela, virá grande tribulação, se não se arrependerem.

Jezabel exorbitou de seu papel de rainha, e de dona de casa, para usurpar o poder político, e interferir no destino da nação israelita. Assim, a igreja católica-romana, caracteriza-se como a mulher vestida de púrpura, montada numa besta de cor de escarlata (Ap. 17: 3-4), transcende a área, pura e simplesmente religiosa para interferir no governo das nações com grandes vantagens de ordem material.

Caracterização do papado da idade média

Evolução histórica
O sistema papal tomou forma e se tornou dominante a partir de Gregório l, no ano 590 A.D. Daí por diante, haveria uma sucessão ininterrupta de pontífices, com prerrogativas, cada vez mais absurdas.
A Igreja como senhora do mundo (ao invés de serva)
A igreja católica se impõe como senhora do mundo, a cuja voz, todos se curvam indefesos. O papa se torna juiz em todas as questões em caráter social polêmico, jurídico, comercial, civil, ou religioso.

Tudo tinha, necessariamente, que ser submetido, à apreciação do papa, ou seu representante, que no entanto, cobrava taxas para qualquer coisa, como assinar um documento, etc.

A corrupção moral do clero
A vida do clero, era totalmente divorciada dos princípios bíblicos. A imoralidade, a sensualidade , a pornografia, o concubinato, a cobiça, a prostituição , a leviandade, as manobras políticas, a zombaria, o enriquecimento ilícito, a falsificação de documentos, com fins inconfessáveis, a corrupção moral, a carnalidade, a simonia, a venda de indulgências, a intromissão da área política, social, e econômica dos estados, a tirania, a opressão, o orgulho pontifício, a jactância, a luxúria, o fausto, e as púrpuras cardinalícias, faziam do papado da igreja, o retrato da Babilônia de Ap. 17 e 18.

A embriaguez, a lascívia, os vícios sociais, o celibato clerical, imposto por Gregório Vll, o excesso de feriados religiosos e dias santos, faziam que o clero se tornasse vagabundo, e ocioso. Não havia a menor assistência espiritual ao povo, embora milhões de pessoas estivessem gritando por socorro. O clero, era em geral, ignorante.

“Houve uma época, em que cerca de 40 (quarenta) padres, não sabiam quem era o autor do Pai-Nosso”.

A igreja monopoliza a salvação.
A igreja fez com que a salvação dependesse da administração dos sete sacramentos, Além de inventar a doutrina anti-bíblica do purgatório, para extorquir o povo a forçá-lo a dobrar-se, diante da sua supremacia espiritual. Transformou-se, por conseguinte, num simulacro, numa caricatura da igreja de Cristo, razão pela qual o Senhor decretou a sua falência, quando diz: “_ Caiu, caiu a grande Babilônia! ... sai dela povo meu ...” Ap. 18

2.5 - SARDO
Período: Revolução religiosa
A reforma

Dados históricos e geográficos da cidade
Sardo era uma cidade rica. Existente desde o século XIII a.C.; era a capital do reino de Lídia, que foi o maior poder, encontrado pelos gregos em sua missão conquistadora, durante a colonização da Ásia Menor.
Creso, o mais notável dos dominadores, se envolveu com Ciro da Pérsia e foi derrotado em 546 a.C. Ciro tomou a cidade e a transformou numa satrapia da Pérsia, para onde foi transportada toda a riqueza de Creso.
Em 334 a.C., Sardo foi oficialmente dominada por Alexandre, o Grande. Em 334 A.C., Antíoco a conquistou e a saqueou.  Em l90 a.C. os romanos a conquistaram.
Sardo sofreu um terremoto em l7 a.C. sendo destruída quase totalmente. O imperador Tibério ajudou na reconstrução da cidade de forma generosa.
Atualmente só existem ruínas da cidade antiga, e uma pequena aldeia denominada Kalessi, em nada comparável com a cidade gloriosa do passado.

Essência da carta
Ap. 3: 1-6
Cristo possui os sete Espíritos: O Espírito em sua plenitude;
A igreja quase totalmente morta;
Faltava integridade nas obras;
Exortação à vigilância, e ao arrependimento;
A reforma apresentada pelo remanescente fiel, o qual não havia contaminado suas vestes;
Quem vencer, receberá vestes brancas;
Seu nome escrito no livro da vida.

Aplicação profética na história da igreja      

Fatores favoráveis à reforma
- O despertar do espírito nacionalista, em diversos países;
- A corrupção moral do clero - repúdio das nações;
- A degradação da religião;
- O povo abandonado, sentia profunda sede espiritual;
- O surgimento de movimentos de protestos no sudeste da França, com Pedro de Bruys, e Henrique de Lansane, e também o surgimento do partido religioso dos cataristas;
- Revolta dentro da igreja - Aurora da reforma; John Wycliff - 1375 - Inglaterra; John Huss: “O novo testamento é o guia suficiente para a igreja”;
- A renascença, como uma preparação para a reforma;
- A inquietude social, como uma preparação para a reforma;
- Frederico, o sábio, príncipe da Saxônia, protege Martinho Lutero;
- João Stauptz, vigário geral dos agostinianos, instrui, e encoraja Martinho Lutero;
- Felipe, o belo, rei da França, briga com o papa Bonifácio lX, e estabelece outro      papa em Avinhão, sul da França;
- Henrique lV, da Alemanha, rompe com o papa Gregório Vll;
- Malancton, Calvino, Carlstadt, Guilherme Farel, Martin Bucer, São colunas mestras do pensamento da reforma;
- A construção da Basílica de São Pedro, iniciada por Júlio l, e concluída por Leão X; razão da vinda das indulgências pelo domínio de Tetzel. Confronto com Lutero na Alemanha.

Traços biográficos de Martinho Lutero

Nasceu em Eislebem, Saxônia, 10 de novembro de 1483. Iniciou seus estudos na escola Eclesiástica de Mansfield e Magdenburg, respectivamente. Travou conhecimento com os irmãos da vida comum que aspiravam por mais da vida espiritual, coincidindo com as aspirações de Lutero.

Em 1501, concluiu seus estudos de humanidades, indo ingressar na universidade de Erfurt para cursar direito e filosofia. Formou-se em música e filosofia, mas interrompeu o curso de direito. O cair de um raio numa tempestade, ao seu lado, fê-lo mudar de ideia.

Em 1505, entra para o convento Agostiniano, e começa a lecionar filosofia, em Witenberg. Em 1509, torna-se bacharel em teologia e leciona dogmática no colégio geral da ordem.

Para dirimir uma questão surgida entre algumas ordens da Alemanha, foi à Roma em 1510, e ficou decepcionado com a vida do clero romano.
Escreveu comentários sobre Salmos, Gálatas, e Romanos, descobrindo a salvação de graça, por meio da fé em Cristo, sem o concurso das obras. Começou a desmascarar os dogmas da igreja e a contestar as teses do humanismo de Erasmo. Em 31 de outubro de 1517, afixou na porta da igreja, em Witemberg, as 95 teses que derrubavam toda a estrutura do sistema católico-romano, razão porque teve de enfrentar duas dietas: A primeira foi Augsburg, em 1518; e a segunda foi Worms, em 1521. Daí, saiu definitivamente vitorioso, e sendo, finalmente, excomungado por Leão X, retirou-se para o castelo de Watburg, por ordem, e precaução do príncipe, Frederico, onde em 10 meses, traduziu o novo testamento para o alemão, completando, mais tarde, a tradução de toda a Bíblia mater.

Princípios da Reforma
- A supremacia da Fé, sobre as obras.   Ef. 2: 8-10
- A supremacia da Bíblia, sobre a tradição.   Mt. 15: 1-10
- O direito de livre exame das escrituras.   Jo. 15:39
- O sacerdócio universal dos crentes.   l Pe. 2: 9-10


2.6 - FILADÉLFIA
Período: Era das missões

Dados históricos e geográficos da cidade
Era a mais jovem das cidades.
Fundada por Atalos ll, cerca de 159 - 138 A.C.  .
Estava localizada à margem de uma grande estrada comercial romana, que ligava à outras cidades do país, e ao mar Egeu, através dos portos de Éfeso, e Smirna. Sofreu um terremoto em 17 A.D.  .
Era uma cidade com fronteira com Misia, Lídia e Frigia.
A idéia de convertê-la em missionária da cultura e do idioma grego entre os habitantes de Frígia e Lídia.
Era realmente uma “porta aberta” para os crentes propagarem o evangelho.
Sua terra era muito fértil, era famosa por seus vinhos.

Essência da carta - Ap. 3: 7-13
Ligeira referência aos reavivamentos que caracterizam este período.

Os brados libertadores da reforma estavam sendo sufocados pelos ataques descaridosos dos romanistas, os quais usavam de suas sutilezas para deter a marcha triunfal da Reforma. Por essa razão, Lutero e seus companheiros se embrenharam pelos caminhos da polêmica e perderam de vista, as necessidades dos vastos campos missionários, daí, a razão porque Deus, o missionário da história, imprimiu um rumo diferente à sua obra, levantando, agora, avivalistas de grande porte espiritual, como João  Wesley, Carlos Wesley, George Whitefield, Jônathas Edwards, João Bunyan, Dwight Liman Moody, Charles Finney, Charles Hadon Spurgeon, João Paton, Wiliam Carey, João Fietcher, Wiliam Booth ( Fundador do exército da salvação), Samuel Morris, Duncan Campbel, Stanley Jones, David Brainerd, João Hyade, Adoniran Judson, etc. Verdadeiras chamas incendiárias, batizados com o fogo abrasador do Espírito Santo, com a Bíblia em punho , joelhos em terra, jejuns, vigílias, e assim, Deus trouxe ao sagrado redil, milhões de almas perdidas, que , hoje povoam as avenidas luxuriantes da Cidade Celestial.

“Eis que ponho diante de ti, uma porta aberta”. Através desses homens, Deus sacudiu países inteiros, que cochilavam acomodados aos limites de sistemas litúrgicos ocos, sem o sopro da vida, e sem a bênção do espírito Santo. Milagres extraordinários começaram a acontecer, os dons espirituais a se manifestar em muitos deles, e almas quebrantadas e arrependidas de seus desvarios, olhavam outra vez, para o céu e confiavam inteiramente no Senhor para a salvação.

A história dos reavivamentos, é sempre uma inspiração, um estímulo, mostrando que, onde quer que haja corações dispostos a bênção do Senhor, aí, ele se mostra poderoso e pronto a imprimir um novo rumo à evolução histórica da raça humana. Milhões de almas, em centenas de países, em todos os continentes do globo, receberam a mensagem única, singular, abrasadora do evangelho da salvação, através desses vasos humildes, sem ostentação, dispostos a sofrer humilhações, ataques, desprezos, até mesmo de companheiros de ministério, mas que não se arrefeceram, na batalha do reino de Deus. Tinham suas almas tangidas pelos raios solares, seus corações iluminados pelos fulgores do Espírito Santo. De seus lábios ungidos, jorravam correntes de águas vivas, para desalterar a sede das almas tristes e desalentadas. Os séculos XVll, XVll e XlX, viram os esplendores do céu, os portões de pérolas da cidade celestial abertos aos pecadores arrependidos.

Cristo era a Suprema inspiração desses pregadores sacudidos pelo poder imenso do Espirito Santo; suas vozes inconfundíveis, ressoam ainda pelas abóbadas do infinito como testemunho de que Cristo, é o mesmo ontem, hoje, e será eternamente.

2.7 - LAODICÉIA
Período: Era ecumenista.

- Dados históricos e geográficos da cidade
Laodicéia era uma das três cidades vizinhas do vale de Licos, mencionados nos escritos de Paulo, sendo as outras duas, Colosso, e Hierápolis. Originalmente, a cidade havia sido uma fortaleza militar.

O vale onde estava situada, era muito fértil, tendo abundância de todos os produtos do campo e portanto, um importante centro comercial e estratégico.

Como características da cidade, podemos citar que não existia água em seus campos, a não ser as fontes termais, onde as águas estavam sempre mornas. Era uma cidade rica, e possuía um grande centro bancário e financeiro. Produzia industrialmente, mantos de lã, e também, era um centro médico de importância onde se produzia e exportava colírio.
Foi merecedora da mais dura repreensão do Senhor.

Essência da carta - Ap. 3: 14-22

- Igreja rica materialmente, e pobre espiritualmente;
- Nem era fria, nem quente, era morna. Água morna provoca vômitos;
- Julgava não precisar de nada, sem saber que estava pobre, cega, nua e desgraçada;
- Era rica, e jactava sua riqueza material;
- Ignorava seu estado de profunda miséria espiritual, pois não enxergava;
- É admoestada a batalhar pela verdadeira riqueza espiritual;
- Eis que estou à porta e bato. Uma igreja com Cristo do lado de fora!

Aplicação Profética na história da igreja.

A carta de Laodicéia caracteriza a chamada Era ecumenista, em que a igreja perde a esperança do céu, e se arroja na conquista de bens materiais e se enriquece materialmente, caindo, por conseguinte, num estado de letargia espiritual.
Troca o poder do Espírito Santo, pelo poder econômico, recebendo do Senhor, a triste classificação de igreja pobre, miserável, cega, nua e desgraçada. É o triste estado de apostasia previsto nas escrituras. l Tm. 4: 1-3.

Para se acomodar nas conveniências do ECUMENISMO, ela abriu mão de princípios doutrinários, considerados inalienáveis, como a inspiração verbal das escrituras, o nascimento Virginal de Jesus Cristo, a salvação dos crentes pela expiação do calvário, os milagres bíblicos em geral, a ressurreição de Cristo, a sua vinda gloriosa e pessoal.

Com o despontar da ciência e da tecnologia, o homem se tornou enfatuado em sua carnal concupiscência e achou por bem submeter as Escrituras ao crivo da razão humana. Tudo aquilo que não pudesse ser aceito pela razão, teria que ser interpretado de modo a ser entendido nesse contexto. Assim, os corifeus da Alemanha, França, Inglaterra, Suíça, etc., elaboraram a Crítica Literária, Histórica, e Textual por cujos crivos a Bíblia foi passada, dando como resultado, a negação do lastro doutrinário que foi o sustentáculo da fé da igreja, em quase 20 séculos.

A Bíblia não é livro de ciências, e nem de filosofia e nem de tecnologia, embora tudo isso, possa ser encontrado nela, de algum modo. Sua preocupação central é a salvação do homem, através do sacrifício de Jesus.

A Arqueologia, talvez, é o único ramo da ciência moderna, que presta bons serviços ao reino de Deus, comprovando por suas descobertas, a veracidade dos Oráculos Divinos

 2.8 - CONCLUSÃO

Ao concluirmos este estudo, queremos caracterizar a primeira menção da igreja, pelo Senhor Jesus, em Mt.16:18 “... e sobre esta pedra, edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

A pedra que Jesus se referia, era a declaração que Pedro recebera por revelação do Esp. Santo, de que “Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo.”
De fato, a igreja do Senhor está edificada sobre essa rocha, e devido a isto, pode permanecer com a chama do primeiro amor até hoje.

Desde sua instituição no Pentecostes, até o arrebatamento, o Senhor Jesus, poderá contemplar a sua igreja com alegria, o seu sacrifício não foi em vão, o profeta Isaías já podia assim registrar: “Ele verá o penoso fruto do trabalho de sua alma, e ficará satisfeito...” Is. 53:11
Em todos os momentos, o mesmo Espirito que revestiu os irmãos no passado, sustentou a igreja nas horas mais cruéis, conservando sempre um remanescente fiel, para levar adiante, as novas de um evangelho, de um Senhor Redivivo.



Assim, nós hoje vivemos os instantes finais do período da igreja. Vivemos aguardando, para qualquer momento, ouvirmos o ressoar da trombeta de Deus, sermos arrebatados, e “estarmos para sempre com o Senhor”. l Ts. 4:17.

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