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Série de Estudos Sobre a 5ª Medida

quarta-feira, 30 de março de 2016

A NOBREZA DO MINISTÉRIO

A  NOBREZA DO MINISTÉRIO
Dt. 9:19,23 – Porque temi por causa da ira ... e não obedecestes à sua voz.

Nós temos que entender e sempre recordar acerca da questão ministerial.  Nós estamos aqui com um grupo de pastores e obreiros, de um modo geral, com as responsabilidades de ministérios.
Essa Obra tem dado, particularmente, uma ênfase toda especial ao ministério porque, na verdade, quando o Senhor nos chamou para esta Obra, Ele começou a nos mostrar um entendimento a respeito dela, Ele exigiu uma mudança de posição do ministério com relação ao seu projeto.


O Senhor nos mostrou que até aqui o que existia era um ministério comprometido.  Ao dizer isso, o Senhor não estava fazendo uma acusação e nem nós vamos fazer nenhuma crítica a esse respeito.  O Senhor mostrou que para o ministério que Ele queria para esta Obra, seria consistido de homens preparados pela Obra, com a mesma mentalidade de Obra e que entendessem o seu projeto de maneira diferente, uma vez que muitos servos de Deus viveram antes de nós, deram seu testemunho, mas ficaram presos a estruturas eclesiásticas.
À medida que os grupos evangélicos foram crescendo, eles criaram estruturas eclesiásticas que impediram, de certa forma, a liberdade de ação dos ministérios.  Eles ficaram presos a certas ações, ficaram limitados.   Então, o que foi acontecendo? 
A operação do Espírito Santo foi desaparecendo, de certa maneira, e aquilo que era a esperança do futuro, desapareceu.  Foi o caso de Eli e de Samuel.
Eli estava envelhecido, ele não ouvia mais a voz do Senhor, a luz do templo estava-se apagando.
É o envelhecimento do ministério, de um tempo que passou e que perdurou até aqui, mas que não podia continuar.  Foi como aconteceu ali. 
Deus levanta Samuel e restaura o ministério falando diretamente a ele, que ainda era uma criança.
Aquilo era um fato totalmente novo e, de certa forma, inexplicável porque Eli tinha oitenta anos, era um homem experimentado, mas não dava mais ouvidos à voz do Senhor, enquanto que Samuel ainda era um menino, um pequenino, e já podia ouvir a voz do Senhor.
Então Deus levanta a Samuel para fazer a Obra.  O compromisso de Deus não é com este ou aquele homem, o compromisso de Deus é com a sua Obra e a Obra de Deus é realizada de uma forma, em cada época, em cada tempo.
Deus levanta, em tempos oportunos, àqueles que Ele quer, em qualquer lugar do mundo.
Essa foi a nossa experiência no início, quando houve uma mudança nos ministérios.

A primeira coisa que o Senhor nos mostrou é que o ministério não ia depender de cultura, de idéias, de sabedoria humana.  É evidente que, de um modo geral, todos têm uma cultura básica, não se espera que a pessoa seja poliglota, que saiba inglês, francês, alemão ou italiano, não é isso.  Cultura é aquilo que você adquire no meio onde você desenvolve as suas características próprias, a sua personalidade, os seus dotes e sobrevive ali dentro, sem agredir àqueles que estão à sua volta, apenas trocando experiências, adquirindo vivência.  Então, você é uma pessoa culta no meio em que você vive.  Se no meio em que você vive não se fala inglês e você também não fala, empatou, 0 x 0.  Se no meio onde você vive todo o mundo fala errado, não sabe nada de português e você fala errado também, está tudo bem.  Você tem cultura, que é aquela cultura daquele lugar onde você vive.
O que interessa à Obra é aquele homem que vai ouvir a voz do Senhor porque o ministério nesta Obra é ouvir a revelação e transmitir ao povo.  É ouvir aquilo que vem da parte do Senhor, que é a revelação, e transmitir ao povo.
A cultura secular não é o requisito essencial, ela é necessária porque o saber não ocupa espaço, mas quem tem uma cultura mais elevada não vai substituir aquilo que é o elemento fundamental, que é a revelação.
A revelação é acessível a todos, negar isso é ir de encontro com aquilo que diz a Palavra.  Nós vimos que homens simples como Pedro, um pescador, tiveram experiências com a revelação.  Jesus encontrou Pedro consertando redes de pesca, o barco não era dele, era de Zebedeu, ele pescou a noite inteira e nada (até nisso Pedro era ruim, a única coisa boa que ele tinha era a sogra).
O que o Senhor quer e tem-nos mostrado é o entendimento da sua vontade num aspecto tridimensional pleno (porque as três dimensões clássicas são: comprimento, largura e altura ou profundidade).  Faltava-nos a profundidade.
Qualquer um pode entender letra, até pelo fato de conhecer Bíblia de cor e salteado.  Eu conheci um cidadão ateu que ganhava todos os concursos bíblicos.
O que importa no ministério, no chamado, é a unção, é a escolha da parte do Senhor.
A partir dali, já não seria pela vontade humana, nem tampouco um preparo, para o cidadão exercer aquela função ministerial.  O Senhor começou a mostrar que Ele mesmo ia levantar.  E a beleza da Obra é exatamente esta.
Hoje nós temos na administração do presbitério pessoas que têm uma certa cultura e outras que têm uma cultura básica.  Alguns lêem aquelas letrinhas miúdas e entendem e outras que só conseguem ler se as letras forem grandes.  As grandes revelações estão com os que só lêem letras grandes, elas não estão com os que lêem letras miudinhas, elas não estão com os que falam inglês, nem francês, nem alemão.
A ênfase do ministério desta Obra é ouvir a voz do Senhor e transmitir.
À medida que você ouve a voz do Senhor e transmite ao rebanho, o que acontece?
Você transmite mais do que uma mensagem, você transmite uma herança.  Você está transmitindo uma herança que não é terrena, você não está transmitindo bens materiais, mas você está transmitindo uma herança eterna.
Não é você quem dá àquela pessoa o direito à herança, você apenas é o transmissor (transmitente) dessa herança, aí está a nobreza do ministério, é quando você transmite, com fidelidade, essa herança.
A transmissão da herança está em função da nobreza daquele que a transmite porque está-se falando de uma vida eterna.
Para você falar de vida eterna, você tem que ter uma herança eterna, do contrário você vai confundir tudo, você vai dizer que ela é para baixo, quando ela é para cima, você vai transmitir de uma maneira errada, e quando você faz isso, você tirou do homem o seu direito à herança eterna. 
Nós não podemos fazer isso.  Foi o caso de Eli, ele negou ao povo o direito à herança, quando ele deixou de trazer as revelações, quando deixou a luz do templo apagar-se, quando ele deixou de ouvir a voz do Senhor, quando ele deixou de ter o que transmitir ao povo.
O que aconteceu ao povo?
O povo dispersou, perdeu as batalhas, perdeu a arca, os filhos morreram, e ele caiu morto.  A esperança de Israel foi-se, e ela estava exatamente na transmissão da herança, de pai pra filho e ele já não tinha como transmitir porque os seus filhos morreram, o seu neto morreu, ele mesmo morreu, ali na porta.
A Porta é Jesus.  Eli conhecia a Porta, que é Jesus, ele era sacerdote, no entanto morreu ali, estava sentado numa cadeira e caiu para trás, quebrou o pescoço, morreu sem comunhão, corpo e cabeça, sem comunhão.  Quem tinha que passar ali, passou por cima dele.
Todos passam por cima do ministério que está morto porque ele não tem nenhum valor.  Não transmitiu a herança?  Acabou.
O segredo está na transmissão da herança.  Se você não é fiel na transmissão, você nega a herança àqueles que tinham direito a ela.
De que forma você pode negar a herança?
Qual foi a mensagem do final do ano?  O que nós dissemos com respeito à herança?  Onde é que estava o segredo da herança?  Quem é o centro da mensagem?
É Jesus.  Então, se você deslocou a mensagem para cá, se é o pão da padaria, se é aeróbica, se é opressão, se é misticismo, se é superstição, se é animação, você não transmitiu a herança com fidelidade.  Se não é Jesus, então é Maria, é Pedro, é João... Você desviou o centro da mensagem e assim o Espírito Santo não tem mais compromisso.
O Espírito Santo só tem compromisso se o centro da mensagem é Jesus.  Se você deslocou o centro da mensagem, que é Jesus, e colocou ali terceiros, quartos, quintos, pessoas ótimas, maravilhosas, o Espírito Santo não age mais, Ele foi embora, Ele não tem mais o compromisso de operar, Ele não tem mais necessidade de ficar ali porque o compromisso dele é o sangue de Jesus.
Se você coloca o sangue para cá e o corpo para lá, o que acontece?
Você morre, houve uma morte natural.
Há um muro que separa a Obra do resto, mas isso não significa que os de cá não passem para lá e os de lá não passem para cá, essa troca de posição vai-se dando naturalmente. Nós precisamos de certas pessoas no ministério desta Obra?  Tem pessoas que, se saíssem, seria um grande benefício para a Obra, porque quanto mais lugares nós tivermos aqui para os que vêm de lá, melhor.

O segredo da eleição


Por que você foi eleito?
O segredo da eleição está na soberania de Deus.
Deus nos elegeu porque nós somos bons?  Aqui pra nós... a gente diz que não, mas lá no fundo... Não é por estar na minha presença, mas eu sou uma pessoa ótima, tanto é que Deus me escolheu para o ministério... Está vendo só, tem tantos que não foram escolhidos e eu, no final das contas, fui escolhido, sou um pastor.
Deus escolheu Israel porque era um povo bom?  O que Israel tinha de bom?  Quais eram as qualidades dele?
Só más qualidades, rebeldia e contradição, exatamente como nós.
A eleição está em função do amor de Deus na nossa vida, não é mérito nosso, esse é o segredo.
Deus nos faz dignos através do seu amor.
No que consiste o amor de Deus? 
O Senhor diz: Meu filho, Eu te amo.  Olha, dá um abraço no teu irmão porque Eu o amo também.   É isso?  É nisso que está o amor de Deus na sua vida?
O amor de Deus está no sangue de Jesus em nossa vida, que é o Espírito Santo.  É o amor de Deus que nos faz ministros.  Se nós não entendermos isso, nós não temos ministério.
É o amor de Deus, é o Espírito Santo operando na sua vida.
Se você estiver fazendo as coisas da sua cabeça, então é o seu amor próprio... é bom também, mas não é o amor que vai transmitir a herança.

O chamado


O chamado é segundo a presciência de Deus.
Deus chamou você.  Agora, você pode aceitar ou rejeitar a unção.
A unção é para você estar à frente de um povo, todos os dias, de paletó e gravata, falando “grosso”, subir no púlpito, todo posudo (não põe batina porque não deixamos)?
Não.

Governo e disciplina


Existem duas coisas fundamentais no ministério: governo e disciplina.
O governo é para conduzir o rebanho, é a orientação.
A disciplina é para colocar as coisas no lugar.
O ministério que não tem essas duas características, não tem como prosperar.  Oh!  O trigal está pronto!  A turma chega lá... Ih, rapaz, não tem trigo lá não, só tem joio!  E o pastor está todo satisfeito.  Oh, o rebanho...!   É só bode.
O ministério tem que ter governo e disciplina.
De que forma ele exerce isso?
O ministério é nobreza.  A nobreza de Moisés foi apresentada em todos os aspectos.
Quando ele renunciou o mundo (Moisés renunciou ser o filho da filha de Faraó).  Quando ele sentiu a dor do seu povo.  Quando ele deixou a vida pacata que tinha na casa do seu sogro, cuidando das ovelhas (não há nada melhor do que viver às custas do sogro) e vem falar pela boca do Senhor para libertar o povo da opressão em que vivia no Egito.
É aquilo que nós já conhecemos, é fogo diante dele, pés descalços, é terra santa, não é Religião, você não entrou para uma religião nova, aqui é lugar santo.  Você colocou os pés, falou bobagem? Então vai pagar por isso.
Você está pisando em terra santa, você vai conhecer as coisas eternas, vai conhecer o projeto de Deus, o Senhor está-se revelando a você, dizendo: Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.
Se você não conhece o projeto de Deus, então você não tem nada para dizer, você não viu a sarça pegar fogo, você não tem experiência com o fogo, então você não vai ter como conduzir o rebanho.
É preciso ter experiência com o fogo.
Quando nós escolhemos um obreiro para o ministério, perguntamos: Ele tem dons espirituais?  Tem.  Quais são os dons?  Tais e tais.  Por quê?
Porque se ele não tiver, como ele vai administrar, como ele vai gerenciar sem os dons?  Como ele vai discernir sem dom?
Nós temos que entender que ministério não se resume em um púlpito, não é ganhar um título.  Se nós pensamos que estamos abrigados atrás do púlpito e que podemos dizer o que quisermos para as ovelhas, que está tudo bem, nós estamos muito enganados.
O púlpito é do Senhor e é para aqueles que têm a revelação.  Quem está com a revelação entra para o púlpito, e quem não está com ela, não entra.
Nós temos que entender que o púlpito não nos abriga do pecado, ele não esconde o homem do pecado.  O púlpito é aquilo que nós chamamos de rocha tarteiana.
A rocha tarteiana era uma rocha que tinha em Roma, de onde eram atirados os criminosos.  Quando o camarada estava vendo aquela beleza toda, do alto, Pumba!  Caía no abismo.
O púlpito tem isso.  Você tem uma visão daquilo que o Senhor quer para a vida do seu povo, mas se você não tiver cuidado, basta um escorregão... É uma rocha tarteiana. O púlpito é o lugar mais escorregadio dentro da igreja, o púlpito não é lugar para a nossa maneira de achar, de pensar, de ser ou de querer;  aqui ou é a vontade do Senhor ou não é nada.

Solecismo


Nós não podemos pregar uma coisa e fazer outra.  Isso é solecismo, fala uma coisa e pratica outra.
Quando o ministério entra para este lado, ele perde a autoridade, ele fica sem autoridade e, nesse caso, a nobreza foi para o espaço, porque os atos falam mais alto do que as palavras.

Nós temos que entender que a nobreza do ministério não está em função de um sangue real (Que sangue real nós temos aqui? Só se for de algum nobre português que veio parar aqui) e nem de títulos desta vida, mas sim em função daquilo que é a nossa responsabilidade em transmitir a herança.
À medida que nós negamos essa transmissão da herança, à medida que nós formos infiéis nessa transmissão da herança, a nossa nobreza vai embora.

Gratidão a Deus


Existem duas coisas fundamentais quando nós vamos transmitir a herança.
1ª)  A gratidão a Deus – Se nós, ao transmitirmos a mensagem, não formos gratos a Deus, se o nosso coração não estiver cheio de gratidão a Deus por aquilo que Ele tem feito por nós, então nós só vamos transmitir bobagens, só tolices, vamos transmitir pessimismo, enfermidades, opressões, tristezas mágoas.
Imagine que um irmão fez uma acusação contra você, uma injustiça, aí você aproveita, vai no púlpito e vomita aquilo tudo em cima da Igreja, você despeja aquela carga toda em cima da Igreja, e ela não está em condições de receber aquele impacto, as pessoas vão ficar...  E você vai-se acostumando a fazer isso, de tal forma que só bate na Igreja, é só bater.
Meus irmãos, a Obra não comporta isso.  Quem quiser bater em alguém, que vá bater na sua mulher, nos seus filhos, se puder, porque é mais fácil você apanhar dela do que bater.
A Igreja não é saco de pancada, a Igreja é um hospital, as pessoas chegam doentes, necessitando de socorro, elas entram desenganadas, porque trata-se de uma doença que não tem cura na medicina, porque é doença da alma, é doença espiritual, é a tristeza, amargura, decepção, injustiça.
Essa é a situação das pessoas que chegam.  Elas estão ali, sofridas, e aí o pastor vem e “desce a lenha”.  Se deixar o diácono... esse mata de vez.  O pastor contemporiza, mas o diácono vem e acaba com o sujeito.
O pastor tem que ter cuidado em transmitir a herança, não é brigar com as pessoas, não é desestruturar as pessoas, você tem que ter paciência, tem que ouvir, tem que conversar.
Nós recebemos uns telefonemas de um grupo de obreiros que foram ordenados.  A primeira vez... a segunda vez.. e aí dissemos: Fulano, escuta uma coisa, função de pastor é administrar problema, não joga esse negócio para o presbitério... e não tem nada que botar ninguém pra fora como você está pensando.  Se alguém precisa ser posto para fora, esse alguém é você.
Resolveu logo o problema, ele pensava que ministério é licença pra bater nas pessoas.  Olha, te boto no banco, heim!
Botar no banco?  Mas isso é papel?  Isso é ridículo.  Vai pro banco...
Banco?  As pessoas são tratadas assim?  São nossos irmãos, eles têm que ter um tratamento de servos de Deus.   Se tem uma falha, uma dificuldade, então chama, corrige.
A Obra chegou num ponto onde o Espírito Santo é quem está fazendo todas as coisas.  Nenhum pastor pode pensar que é ele mesmo quem está enchendo a igreja.
Quem está operando é o Espírito Santo, nós é que estamos atrapalhando.  E esse deve ser o nosso pedido, o de não atrapalharmos aquilo que o Espírito Santo está fazendo.
O Senhor está trazendo pessoas.
A Obra do Espírito se destaca em qualquer lugar que ela vai porque tem começo, meio e fim, ela tem o que dizer às pessoas, ela tem uma palavra para o mundo, ela tem um púlpito de ouro, de poder, tem a Palavra revelada.  Ninguém tem isso, ninguém sabe o que é isso.
Aí fora é a mesmice de sempre, uma palavra falada, repetida, revivida, relida, trilida, é cultura bíblica.  Na Obra é Palavra revelada, é o que vai além da letra, é a terceira dimensão, é altura e profundidade.
Nós somos gratos quando nos lembramos de onde nós viemos, de como nós éramos e quando pensamos o que nós seríamos sem esta Obra.
Há alguns anos atrás, eu estava viajando e vinha conversando com um novo convertido.  Eu lhe dizia: Olha, não sei onde eu estaria se não conhecesse esta Obra, talvez estivesse por aí neste mundo, largado, ou casado pela terceira ou quinta vez, jogado na bebida, na sarjeta, morto por um enfarto ou por um tiro, ou na cadeia.  O que eu tenho, agradeço unicamente a Deus, à Obra do Espírito.
Eu não posso dizer nada, sem dizer isso a mim mesmo, dizer que sou grato a Deus por tudo.
Eu não queria ser chamado para o ministério, e a maioria aqui também não queria (embora a Palavra diga que quem almeja o episcopado, excelente coisa almeja), porque nós não queríamos enfrentar uma luta que já prevíamos.
A grande luta da minha vida foi quando eu tive que optar.  O Senhor teve que falar comigo e não falou brincando não, falou muito sério.  Depois de três dias de jejum, setenta e duas horas ali, não tinha mais jeito, eu já não era mais nada, a carne já não falava nada, era o Espírito quem falava agora e eu disse: Está certo, eu vou aceitar, estou entregue.
Eu sou grato a Deus por isso, porque me fez digno até aqui, quando, na verdade, eu devia estar noutra posição.
Um dia eu pensei que era muito importante.  Nós estávamos construindo o Maanaim e haveria um grande encontro aqui.  Os carros foram chegando, tudo estava sendo improvisado e eu pensei: Isso não vai ficar pronto de jeito nenhum, vai ser um fracasso total.  
Eu adoeci e nem consegui subir para a minha casa, fiquei numa rede que tinha ali embaixo, balançando e chorando, as lágrimas vinham, aquele gosto, lambia, Coitadinho de mim, não sei o que vou fazer, eu não agüento.
De noite o Senhor me disse assim: Está dispensado da minha Obra.
Eu disse: Mas Senhor?
O Senhor nem respondeu.
Eu dormia, eu acordava, aquilo tudo.
E o Senhor me disse: Você já está pago.  Não vou tirar o que lhe  dei..
Eu sabia que não se tratava das bênçãos espirituais, eu sabia que eram as bênçãos que Ele havia-me dado com relação à família, à saúde, a tudo o mais.
Não dormi mais, passei a noite em prantos, comecei a sentir a ausência de Deus na minha vida, todo o passado veio à minha mente.  Aquele dia foi terrível para mim, não tinha mais lágrimas para chorar.
No dia seguinte a turma me procurou, e eu arriado, dentro de casa, sozinho, sem comer.  Eu tinha um compromisso de ir a Valadares e voltar antes do seminário.  Já eram 15:00h e o pessoal foi lá me buscar:
_ Como é que é?  Já está pronto?
_ Eu não vou
_ Você não vai?
_ Não.
Eu só chorava e dizia que não.
_ Mas o que foi que houve?
_ Eu estou dispensado.
Aí o Senhor deu uma revelação a um irmão que nem sabia de nada.  Ele disse: O Senhor disse que quer que você se ajoelhe agora porque Ele vai dar uma oportunidade a você, Ele vai-lhe dar uma cura.
E naquele instante o Senhor me disse: Vou dar uma oportunidade a você, a única e a última.  E eu disse: É com essa que eu vou ficar, Senhor.
E a turma continua orando por mim para eu não perdê-la.
Meus irmãos, o amor pelo rebanho é a intercessão.  O pastor que não ora pelo rebanho, ele não tem nobreza nenhuma.

Moisés despede-se do povo, agora ele vai passar a herança, ele já tinha enfrentado tantas lutas no deserto, tanta dificuldade.  O povo se rebelava e ele intercedia, sempre intercedendo, Ainda uma vez orei ao Senhor.
Ministério sem intercessão não é ministério.   Ministério sem amor pelo rebanho não é ministério.  Mensagem sem gratidão não é mensagem, é chute, é pancada, é agressão e o Senhor não nos chamou para isso, nós não temos esse direito.
As pessoas que entram nas nossas igrejas devem ser tratadas com amor, com carinho, com dedicação, com desvelo, elas vêm de lutas, é o salário atrasado, é o desemprego que bateu à porta, é o filho que está doente, é a filha, é o marido que foi embora de casa.  Esse povo não pode ser tratado assim, o nosso povo é um povo especial.  Muitos de nós estão aqui vivendo a expectativa do amanhã, a escola do filho, a cirurgia da esposa, o pagamento de uma dívida, a procura do emprego, o aluguel.  O que dizer para o rebanho estando nessa situação?
A pessoa chega: Pastor, ora por mim porque eu estou desempregado.
O pastor: Senhor, abençoa esta vida, dá-lhe um emprego para o seu sustento.
O pastor tem que sentir isso, se ele não tiver essa sensibilidade, ele não está em condições de servir e transmitir a herança.
Moisés subiu no monte Pisga, ele olhou a terra prometida ao longe, o tempo tinha passado, era a hora de partir, cento e vinte anos. E então ele faz um pedido: Senhor, eu quero entrar na terra prometida.  E o Senhor lhe diz: Não me fales mais neste negócio, você feriu a rocha.
Moisés tinha ferido aquilo que era o profético, ele bateu com força na rocha, ele se esqueceu que ela era profética, que falava do Filho de Deus, que falava de Jesus.
Nós não podemos ferir a Rocha porque é ela quem nos dá vida.  Quando nós batemos no corpo, nós estamos batendo na Rocha, que é Jesus e quando nós fazemos isso, nós não entramos na terra prometida.
Moisés tinha sido criado para ser faraó, era um homem preparado para conduzir o povo pelo deserto, era um homem extraordinário, bom, decidido, no entanto, não tinha mais argumento para Deus, Moisés, você vai ficar aqui.  E, simplesmente, ele desceu, chamou Josué e os anciãos e lhes disse: Eu vou embora, vou partir, mas vou-lhes passar as recomendações do Senhor, elas são estas, estas e estas.
Moisés não chegou dizendo: Preparem o meu funeral, quero uma homenagem especial para mim, quero uma placa... bota o meu nome numa rua aqui do deserto, troca o nome Cades-Barnéia por Moisés, afinal eu ajudei muito a vocês.
O ministério não comporta esse tipo de coisa, nós não somos os primeiros, nós somos os últimos.  Paulo disse que nós somos como o lixo deste mundo, e como a escória de todos.   (I Co. 4:13)
Nós não queremos ser, mas não tem jeito.
Vai, Josué, o Senhor não faltou com a sua palavra até hoje. O Senhor nunca nos abandonou, nunca faltou alimento, as sandálias e os vestidos não se gastaram, não envelheceram, as promessas do Senhor estão de pé.  Vai, entra na terra.  Eu fico aqui.
Isso é transmissão de herança. O ministério é nobreza.  A nobreza é a transmissão de uma herança e não existe herança maior do que a vida eterna.

Amém.


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